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Sobre mudanças, viagens, conexões e abraços


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        Se os últimos dois anos não foram difíceis para você, você é uma pessoa muito privilegiada - e há uma grande chance de também viver em uma bolha. Afinal, com uma pandemia mundial acontecendo e, mais especificamente falando do Brasil, muitas mudanças políticas, aumento de preços, desigualdade, pessoas perdendo tudo... e eu estou no meio disso tudo! 

        Falando sobre mim, os anos de 2018 e 2019 foram definitivamente os piores da minha vida. Uma desilusão amorosa e outra no âmbito da amizade, problemas sérios em um emprego que odiava, relacionamentos abusivos, perseguições, terror e pânico. Eu estava à beira do abismo, pronta para me jogar e acabar com tudo. Chorava todos os dias, vomitava tudo o que comia, não dormia direito, engordei 15kg, vivia aterrorizada, cercada de más companhias, trabalhava em ambientes tóxicos. Somado a isso, eu também sentia muita raiva do mundo, em como as coisas eram desiguais e injustas. Um belo dia, quando a pandemia começou e estava no auge da minha dor, gritei: Como Deus pode existir? Olhem tudo o que está acontecendo! 

        Foi em 02 de outubro de 2020 que as coisas mudaram. Que minha vida mudou. Veja bem, eu não estou aqui para fazer você acreditar em Deus, nem fazer desse texto algo chato, mas é preciso que você entenda que, se o que aconteceu naquele dia não tivesse acontecido, eu teria dois finais possíveis: a morte ou um surto psicótico. Realmente, estava no limite. E nada nem ninguém era capaz de me ajudar - só Deus. 

        Não vou entrar em detalhes. Mas digamos que sofri algum tipo de interferência externa. Felizmente eu estava acompanhada pelo meu melhor amigo e por uma conhecida dele, e as coisas não saíram tanto do controle. O fato é que, naquele dia, Deus falou comigo - e o mais importante, me salvou. Me falou e mostrou coisas que eu precisava ouvir e ver. Algumas delas, no fundo, eu já sabia, como por exemplo o fato de que eu deveria sair do meu emprego atual, pois ele estava me destruindo. Outras foram mais difíceis de aceitar - e demorei um certo tempo para agir e mudar. 

        Como lidar com aquilo que nós não sabemos explicar? Pois é. Eu sei, falando assim, é difícil acreditar, mas quando conto essa história em detalhes para as pessoas, é bem difícil não se emocionar e encarar a verdade de que sim, aconteceu. Nos dias que se passaram após aquele transformador 02/08/2020, muitas coisas aconteceram. Entrei de licença, voltei a frequentar a igreja, me conectei comigo e com Deus e, desde então - e até hoje! - Ele sempre fala comigo. São inúmeras as graças e mudanças que ele me proporcionou, e se eu mencionar... esse texto ficará bem maior do que eu planejei. 

        O fato é que em novembro de 2020 eu estava em um grande impasse - como sair do meu emprego se meus pais estavam aos poucos perdendo tudo por conta da pandemia e eu tinha um apartamento para sustentar? Foi em uma missa, então, que Deus sussurrou: Confie em mim! Saia, saia desse emprego! Eu nunca chorei tanto como naquele dia. Em dezembro, me colocaram de férias por quase três meses e eu soube: Se eu não saísse por conta do meu medo, Deus "mexeria os pauzinhos" para que as coisas mudassem. E foi em abril de 2021 que consegui outro emprego - durante meu período de aviso prévio, após ser demitida. Um emprego bom, que não era tóxico, e com pessoas maravilhosas. Incrível, né? 

        Desde então eu voltei a me exercitar, perdi 10kg, voltei para a terapia e me mantenho na linha da sanidade. Meus pais vieram morar comigo e ainda estou naquele período de adaptação e entendimento, onde tento melhorar e ser melhor a cada dia. Por vezes não consigo, é claro. Tem dias que ainda fico triste, que ainda acho que não mereço esse amor todo que Deus me envia. Eu me pergunto: Por quê eu? O que eu tenho de tão especial? São perguntas que quase sempre ficam sem respostas, e sei que um dia vou entender o propósito de tudo, mas a verdade é que isso me mudou. E, desde então, coisas boas não param de acontecer! Com isso, só chego à uma conclusão: quando você está disposta, realmente disposta e pronta para ouvir e enxergar tudo o que Deus tem para você, acontece. 

        Claro que meu processo de aceitação, mudança, autoconhecimento e de principalmente voltar a ser feliz não aconteceu da noite para o dia. Admito que, até dias atrás, eu ainda estava me sentindo desconexa com tudo. Sempre amei São Paulo, mas ultimamente estava me sentindo bastante solitária, não tão amada e muito fora do lugar. Eu pertencia mesmo a essa cidade? O que o futuro reservava para mim? As pessoas realmente me amavam e gostavam de quem eu era? Iria mesmo realizar meus grandes sonhos? Andava um pouco deprimida até que recentemente (mais especificamente na semana passada) realizei um dos meus grandes sonhos. Fui para Argentina!

        Desde pequena sempre gostei dos argentinos e principalmente do futebol argentino. Eu até torcia para a Argentina quando ela jogava contra o Brasil! E o meu ídolo era o Carlitos Tévez. Exótico, né? Então, prestes a completar 29 anos, resolvi fazer algo por mim e lá fui eu para Buenos Aires e Bariloche. Veja bem, em outubro de 2018, quando Deus falou comigo pela primeira vez, ele me disse "volte a ser aquela garota feliz que esteve sozinha no Atacama e superou seus grandes medos". Então, pessoalmente, essa viagem além de realizar um sonho também significava me conectar comigo e com aquela garota que subiu uma grande montanha mesmo que ela morresse de medo de altura, andou pelo deserto no meio de uma tempestade e não se intimidou com o escuro quando, todas as noites, a cidade ficava sem energia. 

        Dias antes da viagem um sentimento péssimo tomou conta de mim. Um certo... medo. Vou ficar solitária demais! Ainda estamos vivendo uma pandemia! Meus pais estão tristes e presos em casa! Meu espanhol é péssimo! Vou me sentir mais solitária do que me sinto em São Paulo, por não conhecer ninguém! Muitas indagações, sim? Mas eu silenciei todas. Silenciei todas e fui para minha viagem de oito dias sozinha, incluindo alguns dias em Bariloche, onde iria me enfiar no meio do mato e fazer muitos tours pela natureza. E essa foi... a maior e melhor decisão da minha vida. 

        Logo que cheguei em Buenos Aires ainda me sentia estranha e receosa. Mas, no dia seguinte... tudo mudou. Eu literalmente andei pela cidade toda, visitando pontos turísticos e me emocionando com todas as lindas arquiteturas maravilhosas que encontrava. Aquilo era o meu sonho! Eu me sentia feliz, completa e enfim conectada com aquela garota que esteve no Atacama em fevereiro de 2019 antes de tudo desmoronar. Mais do que isso eu também sentia que deveria e precisava estar ali e viver aquilo tudo. O tal do momento certo... 

        Mas, foi apenas em Bariloche que as coisas finalmente se encaixaram por completo. Lembra que disse que estava com medo de me sentir solitária? A verdade é que sim, eu realmente estava solitária por lá, mas sentir essa solidão era algo de que precisava. Veja bem, morando em São Paulo, uma cidade tão agitada, é fácil se sentir apenas mais uma na multidão. E após viver anos e anos sozinha em um apartamento, ter meus pais em casa estava sendo difícil. Ao longo de dois anos perdi tantas coisas (um amor, amigos, um emprego de 5 anos, minha liberdade), mas eu também havia ganhado muitas outras, certo? Então de onde estava vindo todos aqueles sentimentos? Por que eu estava tão desconexa e confusa? De onde vinha tudo isso? 

        Eu estava pensando em todas essas coisas em um passeio de barco quando conheci Nani e Mar. Nani, uma linda peruana de 30 anos que, para mim, representa muitas das coisas que desejo ser quando chegar nessa idade (eu sei, falta muito pouco!) e Mar, outra linda garota que ainda possui a doçura e sinceridade de uma mulher de 25 anos, mas que sofreu bastante e, por isso, é possivelmente uma das pessoas mais fortes que já conheci. Uma argentina nata, daquelas que qualquer um amaria conhecer. Analisando bem agora, já de volta ao Brasil, é como se três versões de mim mesma estivessem se encontrando ali, no país que sempre amei e sonhei em visitar. E esse encontro gritava a todo momento: Tinha que acontecer! Vocês tinham que se conhecer!

        Quando encontrei Nani, ela precisava de ajuda para tirar fotos e eu de um carregador de celular. Ela me emprestou seu cabo e eu, prontamente, comecei a tirar muitas fotos dela. Isso é incrível porque durante muito tempo estive mal com meu corpo e comigo mesma, e Nani para mim era tão bonita, como uma modelo, e eu pensei: Ok, posso chegar aos 30 assim se me cuidar! Se eu não chegar, tudo bem, ao menos posso tentar! Conversamos um pouco até que nos esbarramos em Mar... sim, seu nome como o oceano, e essa foi a primeira coisa que disse a ela (com meu péssimo espanhol). Lembro que imediatamente ela riu, um riso tão bonito e contagiante, que fez nós três caírem na risada. Mas Mar estava chorando, pois também se sentia solitária e também tinha suas questões. Não perguntei nem comentei sobre o seu choro, pois não queria ser invasiva. Ao longo dos dias ela me contaria sua história, e eu descobriria que tínhamos muito mais em comum do que eu imaginava.  Mas, naquele momento, nós apenas aproveitamos a companhia uma da outra. Eu havia acabado de conhecer duas pessoas maravilhosas, que carregavam muitas feridas e histórias tristes, mas estavam prontas para enfim virar a página. Te lembra alguém? 

        Em determinado momento, encontramos um gatinho muito fofo. Descobri que elas também amavam gatos! Eu tenho um gato, muitos sabem, mas o que poucos sabem é que ele foi um dos responsáveis por me salvar da depressão. Aquele momento foi tão lindo... claro que me marcou. Acontece que infelizmente o passeio estava acabando, e precisávamos ir embora. De volta ao barco, nos separamos. Fiquei muito triste com aquilo, porque tinha certeza que não as veria de novo... eu comecei a pensar: Por que nos separamos? Eu sou uma idiota, deveria ter ido com elas! Foi uma volta solitária para Bariloche. Já no porto, visualizava cada pessoa que saia do barco, na esperança de vê-las novamente... até que vi Nani. Ela sorriu, esperou que eu saísse da embarcação e me deu um abraço. Sim, um abraço!

        Vou te perguntar uma coisa: Quantos abraços você dá por dia? Quantas vezes abraçou os seus amigos ou alguém que você ama no último mês? Eu amo abraços, mas admito que dou muito menos do que deveria e gostaria. Por que abraçamos tão pouco as pessoas que amamos e nos importamos? E aquele abraço... ele foi tão carinhoso, sincero e inesperado! Nani me disse: Estamos indo para um bar, vamos? Não precisei pensar duas vezes. 

        Foi uma noite maravilhosa. Descobri que meu espanhol estava muito mais enferrujado do que eu pensava, mas isso não nos impediu de nos conhecermos, contar histórias, rirmos e nos entendermos. Em vários momentos eu precisava falar: Pode repetir e ir mais devagar? Nós ríamos, ríamos e começávamos tudo de novo. Eu repetia sempre: No Brasil nós falamos assim, como é aqui? E elas me respondiam e falavam: "Como?!" sempre que eu me embolava nas palavras. No meio de tantas confissões e conversas, acabei descobrindo que Nani também sempre teve o sonho de ir para a Argentina, e que Mar também havia passado por uma depressão e períodos sombrios. Nani se formou em jornalismo (como eu!) e é devota a Deus (como eu!) e, em vários momentos, nós três nos emocionamos muito. 

        Na hora de ir embora do bar - um lindo lugar chamado Manush, que se tornaria mais tarde nosso "point" - descobrimos que nós três faríamos os mesmos passeios com a mesma empresa e nos mesmos horários. Ok, qual a probabilidade disso acontecer? Entre tantas empresas e tantos tours disponíveis... é, realmente, Deus tem maneiras curiosas e divertidas de mudar e impactar a vida das pessoas. As coincidências não paravam de acontecer e os sinais gritavam! Nos despedimos com mais abraços apertados e um "até logo". Eu estava nas nuvens. 

        No dia seguinte descobrimos que, apesar de estarmos no mesmo tour, estávamos as três em ônibus diferentes. Isso não foi um problema. Encontrei Mar em uma das paradas, de costas, olhando para o lago. Eu sorri, ela se virou, sorriu de volta. Correu até mim e me deu um abraço apertado. Rimos, conversamos, tiramos fotos. Em outra parada, dessa vez mais longa, enfim estávamos as três juntas novamente. Almoçamos, rimos um pouco mais, tiramos as nossas primeiras fotos juntas e nos despedimos de novo. Pela noite, nos encontramos no Manush. Era como um ritual que aos poucos surgia... mas que acabaria um dia. 

        Nani foi a primeira a ir embora de Bariloche. Tivemos uma linda despedida, tiramos mais fotos, contamos mais segredos, nos conhecemos e choramos. Eu estava com a minha polaroid e tiramos três fotos iguais, uma para cada. E, embora ela estivesse indo embora, havia uma certa certeza... iríamos nos ver de novo. Demos um abraço triplo, foi lindo e, ao mesmo tempo, doloroso. Quando Nani subiu no ônibus, eu disse a Mar: Parecemos aquelas mães bobas que estão vendo o filho voar para longe de nós e ir embora. Nós rimos muito e acenamos descontroladamente pra uma Nani já chorosa. Ela se foi, agora só restava eu e Mar. Mas por pouco tempo, o dia seguinte era o meu último dia. Voltamos para o Manush abraçadas, precisávamos de conforto e de umas boas cervejas. 

        Fui embora de Bariloche na tarde seguinte, após ter um lindo - e gostoso - almoço com Mar, regado à vinho e mais confissões. Naquele momento eu já estava com o coração transbordado de tanto carinho que recebi em tanto pouco tempo, também tínhamos um grupo onde conversávamos e nossa conexão já estava estabelecida. Quando me despedi de Mar, após mais um abraço apertado, a acompanhei com o olhar até que ela desaparecesse na esquina, desejando com todas as forças que aquela mulher pudesse permanecer com a felicidade que ela havia vivido naqueles últimos dias e que nunca, nunca mais sofresse. Ela não merecia, nunca mereceu. Pedi a Deus: Que eu volte a encontrar essas mulheres, elas me ensinaram muito! Por favor, por favor Deus, cuide sempre delas! Faça com que Nani nunca perca sua garra e alegria de viver! Faça com que eu nunca perca essa felicidade e essas memórias!

        Quando voltei a Buenos Aires, Nani ainda estava por lá, tivemos um último almoço também. Ela me fez uma bela surpresa - algo que nunca ninguém fez por mim - pedindo um bolo e fazendo com que o pessoal do restaurante cantasse parabéns para mim (mesmo que essa não seja uma tradição do pessoal na Argentina). Choramos enquanto contávamos nossas histórias de vida, dávamos conselhos e fazíamos promessas: Vamos viajar muito ainda! Eu, você e Mar! E falando em Mar... tiramos uma foto para ela, falamos: Falta você! (Como eu e Mar havíamos feito no dia anterior para Nani). Rimos, rimos e choramos. Nos abraçamos. Nos despedimos... como é doce e preciosa a descoberta de algo que é maior que nós.

        Hoje, já de volta a São Paulo, não me sinto mais desconexa ou solitária. Sim, eu ainda amo essa cidade, mas essa viagem trouxe de volta a vontade de descobrir o mundo e, principalmente, me descobrir. De viver coisas novas, de conhecer pessoas, de ser feliz! Porque sim, eu mereço, e como mereço. Eu mereço ter mais abraços e momentos como os que vivi, mereço me sentir bem, presente e feliz. Eu mereço me sentir linda e amada. Eu mereço me reencontrar com Mar e Nani. E sei que vou. Essa é uma certeza que está tão firmada em mim que, embora eu sinta saudades, sei que a despedida será breve. E elas sentem isso também, falam isso a todo momento. Ontem mesmo tivemos nossa primeira videochamada, foi incrível. Filmei meu gato para elas, ele se comportou como um príncipe. Ficamos conversando por mais de uma hora, fazendo planos, contando sobre nossos próximos passos. Tiramos mais uma foto juntas - dessa vez, distantes, mas com a certeza de que, um dia, olharíamos todas aquelas fotos e relembraríamos de tudo. Felizes, juntas, como três grandes amigas. Amigas que, no início do ano, pedi a Deus. E ele me enviou. 

        É o que dizem: Me sinto pronta! Para ser feliz, viver grandes histórias. De ser a mulher que eu sempre quis ser. 

oceano


depois de tudo o que fizemos 
de tudo o que nos tornamos 
todas as palavras e promessas 
nós ainda podemos ter uma chance? 

faz tanto tempo 
mas parece que foi ontem 
nós duas na avenida mais movimentada da cidade 
você estava tão deslumbrada com as luzes 
e eu apenas sorria, alguns passos atrás 
tentamos tirar uma foto, mas nossos cabelos voavam 
gargalhamos e prometemos ter muitas noites como aquela 
acabamos num restaurante de aparência duvidosa 
eu estava pronta para te contar toda a verdade 
e você para se despedir
será que foi aí que nos perdemos? 

eu não suportei ver as lágrimas nos seus olhos 
implorei por clemência, implorei para que você ficasse 
você apenas pegou em minha mão 
"está feito", você disse 
o que eu poderia fazer? 
analisando agora, eu deveria ter implorado mais
você sempre foi uma bagunça, mas isso nunca foi um problema para mim 

era hora de voltar para casa, mas eu só queria poder congelar aquele momento 
"fique um pouco mais", implorei
foi então que paramos em uma sorveteria
eu e minhas gracinhas, nunca te fiz rir tanto como naquela noite 
pensando bem, você deveria estar se sentindo culpada 
você estava perdendo uma amiga e também uma amante 
a verdade é que sempre estive ali, só você não percebeu 
mas era hora de ir embora 

naquele dia, te levei na rodoviária
te busquei em casa, porque é isso que as pessoas que amam fazem 
te levei pra almoçar, porque queria me agarrar em qualquer mísero segundo 
mas eu não suportei o clima, não suportei a dor 
eu estava chorando no banheiro enquanto você se preparava 
voltei como se nada tivesse acontecido, porque é isso que as covardes fazem 
analisando agora, eu deveria ter implorado mais

então nós chegamos lá 
ficamos alguns segundos sentadas na sala de espera 
você me deu sua mão, não suportei 
não sei se foi o contato, ou as lágrimas que você lutava para não sair 
mas eu chorei, porque é isso que as pessoas que amam fazem 
seus olhos azuis como o oceano, eu só queria me afogar 
pensando bem, eu deveria ter implorado mais 
deveria ter te pedido um último beijo 
mas eu estava sem palavras, como tantas outras vezes 
não é como se eu não visse que você estava sofrendo 
eu só nunca fui boa em dizer adeus 

quantos anos fazem? 
dois, três, quatro? 
eu não me lembro mais 
odiaria saber que você está infeliz, essa é a verdade 
mas você está muito bem agora 
vejo em suas fotos, seus olhos ainda brilham 
azuis como o oceano
sim, como o oceano 
nós vivemos o que tínhamos para viver 
"foi melhor assim", eles me dizem 
mas eu já não tenho tanta certeza assim  

eu me sinto como os espelhos 
eles se quebram, trazem azar 
eu me sinto como a fumaça 
ela se dissipa e se espalha pelo ar 
é como se eu não tivesse mais nada pelo o que lutar
faz tanto tempo, porque ainda me lembro de tudo?
a verdade é que as coisas nunca foram como antes 
sem aquele tambor em meu peito 
eu só queria poder me jogar no oceano
sim, no oceano
só mais uma vez 

Unsteady


Já tem algum tempo que eu venho sentindo minha vida escapar do meu controle. É tangível e palpável o quanto estou aos poucos perdendo o rumo e a vontade de fazer qualquer coisa grandiosa, qualquer coisa nova e diferente. Simplesmente não tenho mais nenhum desafio ou meta. Eu perdi o rumo totalmente, não sei bem onde estou e muito menos sei onde quero chegar. Lembro que em uma das nossas últimas conversas você me disse que uma hora eu teria que parar um pouquinho, desacelerar e cuidar de mim. "Dinheiro não é tudo", você disse. Lembro-me que o que respondi na época foi que tinha uma meta e que estava trabalhando para conquistá-la. Pois bem, eu consegui. Cheguei ao pote de ouro, estou "onde sempre quis estar", mas não estou feliz com isso. Eu não consegui ficar feliz com isso. Muito pelo contrário. Eu me sinto totalmente perdida em relação ao que devo fazer agora. Pra onde devo ir? O que devo fazer? Quais metas traçar agora? Estou oca. Se eu gritar agora, será apenas para encontrar o vazio. E o silêncio? A solidão? Eles não me incomodam mais, aprendi a lidar com eles quanto estive doze dias fora do Brasil, numa viagem onde me descobri, mas também me perdi. Porque eu não tenho mais vontade de ficar aqui. De fazer as mesmas coisas todos os dias. De ter uma rotina. De me doar, doar, doar, e sempre cair no esquecimento. De não ter mais um propósito. E eu sinto falta. Sinto falta da imensidão do deserto, do silêncio daquelas noites banhadas pelos pássaros, grilos e trovões, de acordar e não ter nenhuma preocupação, dor de cabeça.  De andar e andar, e, mesmo quando não tinha um rumo, eu sentia prazer em ter incerteza. Sinto falta de estar num lugar onde ninguém me conhece ou sabe da minha história. Onde ninguém torce pelo meu fracasso. Onde ninguém me olha com inveja, cobiça, raiva. Muito pelo contrário. Eu só recebia olhares de amor, companheirismo, entendimento. E nas noites... que noites! Conversar com estranhos sobre coisas bobas. Mas agora eu voltei... voltei e meu peito transborda de saudade e medo. Medo de nunca mais minha vida aqui fazer sentido. De nunca mais sentir aquelas coisas de novo. Quando tudo vai fazer sentido outra vez? Quando meu peito vai parar de doer de saudade? Quando vou ser repensada por tudo? Acho que você estava certa. Sempre esteve - pelo menos nessa parte. De resto... você só fez me usar. 
Desabafo (Banalidades)



Hoje parece ser um dia igual a todos os outros
Acordei cedo, sozinha na cama
Tudo parecia igual a ontem
Isso é tão chato, frustante
Pra um ser humano como eu, tão inconstante
Será que consigo conviver com isso?
Será que nossa história chegou mesmo ao fim?
É tão difícil de se acreditar
Ou eu que sou exagerada, frustrada?
Não vou mentir, sempre quero mais
Sempre quero mais do que tenho
E a verdade é que eu esperei muito de nós dois
Acho que queria um amor igual aos que via na TV
Grande ilusão
Perdi, perdi o jogo
Perdi você
E ao longo do caminho
Também acabei me perdendo
Sei que você dirá que tudo isso é loucura
Mentira, banalidade
Mas, o que posso fazer?
Se sinto, sinto muito
Se ainda sou louca por você
Se ainda quero te dar tudo o que tenho
E até o que não tenho
Então eu vou gritar
Vou gritar que estou cansada de esperar
De me confundir, me desesperar
Vou dizer pra todo mundo que você me enganou
Mas que mesmo assim eu te aceitaria de volta
E quem sabe eu até bata na sua porta
Totalmente embriagada
Pra dizer que você destruiu minha vida
E isso não é nenhum exagero, raridade
É apenas a verdade
Quem sabe assim você se arrependa
E se humilhe, pedindo pra voltar
Mas não posso mais me precipitar
Preciso escutar o silêncio que paira em mim
E a voz da razão
Me dizendo que acabou
E que você não vale as minhas lágrimas
Que eu despejo no travesseiro todas as noites
Antes de dormir
Então tranco a minha porta
Pra todas as suas mentiras
Pro seu egoísmo
Pra sua indecisão, suas traições
E se um dia você tornar a bater
Eu vou gritar pela janela que ainda lembro de você toda hora
Que lembro de tudo aquilo que tivemos
E até do que poderíamos ter tido
E que vou lembrar até o fim
Mas, por vaidade,
Não vou mais perder o meu tempo
Eu já perdi demais
Minha porta está trancada
Pra você
Fragilidade



Descobri que a nossa relação é frágil. Fraca. Cheia de problemas, dificuldades e barreiras. Você já reparou como estamos, na maior parte do tempo, nos preparando para a nossa próxima briga? Estamos sempre nos perguntando coisas como 'quanto tempo nós temos até tudo desmoronar?', 'um dia, um mês, um ano?', 'se eu me entregar, vou sofrer?', 'ela gosta de mim tanto quanto eu gosto dela?', 'quando tudo isso vai acabar?'. Nos transformamos em uma bagunça, duas pessoas que se perderam e se encontraram em um beco sem saída. E eu tenho que admitir, ás vezes você me sufoca. Ás vezes, é difícil continuar gostando de você. Ás vezes, você me tira tanto o ar que é quase impossível continuar respirando. Quase sempre, eu também sinto como se estivesse pisando em ovos, nunca em terra firme. Todas essas coisas me trazem excitação, mas também ansiedade. Uma ansiedade que me corrói e que acaba com o meu sono. Antes de dormir, todas essas dúvidas intermináveis me acertam em cheio e eu realmente considero ir embora. Mas eu não vou. Nunca vou. Não vou porque sei que nem todos os relacionamentos são perfeitos, sólidos e saudáveis, que apesar de toda a fragilidade, vulnerabilidade, ansiedade, dificuldade e interrogações, nós temos algo especial e extraordinário. Há beleza na nossa bagunça. 
Sensações



Deixe eu te levar para o seu restaurante favorito
vamos sentar na mesa mais distante
rir um pouco, conversar
não ligue para as minhas mãos que tremem
elas sempre foram assim
me conte sobre o seu passado
algum romance que não deu certo
me faça entender
eu estou pronta para ouvir
sim, estou pronta para te decifrar

Ao longe, eles tocam alguma música cafona dos anos 2000
"você subverteu o que era um sentimento, e assim fez dele razão pra se perder"
é apenas mais uma canção de amor que todos já ouviram
pode não parecer muita coisa
mas para nós isso significa muito
por isso eu vou cantá-la baixinho
só pra você ouvir

Está frio lá fora, não está?
fique mais perto de mim
se enrosque
pegue em minha mão, aperte
olhe para mim
eu quero me perder nesses olhos
cor de âmbar
eu poderia beijar os seus lábios umas mil vezes
e mesmo assim eles nunca ficariam secos
não, não, não

Tenho a sensação de que tudo pode ser diferente agora
nem as estrelas do céu parecem mais as mesmas
isso está me deixando um pouco aterrorizada
talvez eu esteja ficando louca
ou talvez eu esteja um pouco chapada
o que é isso em meu estômago?
eu sei, eu sei
é hora de calar a boca
em seus lábios
macios

Eu tenho essa sensação
de que tudo pode ser diferente agora
não vá para muito longe de mim
você sabe que pode ficar com qualquer pessoa
mas ninguém irá te enxergar
como eu te enxergo
eu gosto mesmo de você, bem do jeitinho que você é
teu jeito louco rima com o meu
estranho
vamos, vamos em frente
deixa eu fazer de você
minha casa
Ele se apaixonou por outra pessoa



Quando eu estava com ele, eu me sentia satisfeita... mais satisfeita do que um dia esperava estar. Eu me sentia feliz, alegre, completa. E não sentia mais vontade de fugir - porque eu sentia que, pela primeira vez, eu pertencia a algum lugar. Mas esse foi o problema, sabe?

Eu precisava mais dele do que ele de mim.

Nós começamos a brigar. Nos afastamos. E, por fim, terminamos. Meses depois, eu fiquei sabendo. Ele se apaixonou por outra pessoa. Ele se apaixonou novamente, e agora todas as suas memórias, incluindo a mim, são apenas nuvens que ele não quer e não precisa mais encarar.  E o que eu deveria fazer? Obrigá-lo a me encarar? Obrigá-lo a não me esquecer? Obrigá-lo a voltar para mim? Que bobagem. Se eu fizesse isso, estaria apenas adiando o inadiável. Eu estaria me enganando. 

Eu não posso obrigá-lo a manter uma conexão comigo, mesmo que essa conexão seja apenas de amizade ou pena. Isso é egoísmo. 

Que ele seja feliz, então.
Despedida



Nós já ficamos noites acordadas rindo de nossas besteiras
dançamos até o chão em festas da faculdade
nos embebedamos, caímos, levantamos
criamos projetos e nos arriscamos
mas o que nós temos agora?
me diz, o que nós temos agora?

Eu costumava te conhecer
sabia tudo o que você ia dizer
antes mesmo dos seus lábios se abrirem
você achava isso engraçado
enchia a boca para dizer
'você é minha melhor amiga'
pra onde foi toda essa conexão?
me diz, pra onde foi a nossa conexão?

Eu sei, eu vejo
você está se segurando
seus dedos doem, sua garganta grita
então porque você não se solta?
porque eu já me soltei
não estou mais me segurando em algo que não preciso
então, abra os olhos
veja que a vida pode ser mais do que estávamos fazendo
há mais pessoas por aí
temos muito mais para conquistar

Não se engane mais
é uma ilusão pensar que podemos continuar
que podemos ser como éramos antes
que ainda podemos rir de qualquer coisa
há um enorme abismo entre nós
e, sinceramente, eu não estou mais disposta
não quero mais cair por você
não quero mais me sacrificar por você
eu não vou mais me iludir
implorar por uma chance
que já lhe foi dada há muito tempo
não vou cair de joelhos
porque tudo quebrado e enterrado agora
Ele



Ele diz "vamos conversar"
mas todas as coisas que saem da boca dele
são mentiras deslavadas
será que ele acha que você é boba?

Ele volta tarde todas as noites
cheio de charme, tentando te bajular
será que ele acha que você não percebe
o cheiro de álcool e puta barata no ar?

Ele te trata mal
e toda vez que você o manda embora
ele diz "eu vou mudar"
será que você não percebe?
que ele é tudo, menos um cavalheiro

Ele gasta o seu dinheiro
está sempre com roupa de marca
bebendo no bar
perdendo no jogo
E o que você faz?
Me diz, o que é que você faz?

Ele diz que você gasta demais
e que fala demais
Ele odeia sua roupa
quer mandar em tudo
Como você aguenta isso tudo?
Me diz, como você aguenta isso tudo?

Será que um dia você irá perceber
que mentir pra si mesmo é negar tudo
que você quer ver
por que você não se permite ir?
por que você não não se permite ficar livre?
Menos você



Eu estava presa em uma encruzilhada
sem saber para onde correr
sem ter para onde ir
todo mundo percebeu
menos você

As pessoas passam por nossas vidas
histórias e mentiras
tudo se mistura
e não há como voltar atrás
você sabe disso
sim, você sempre soube disso

Mas eu vi a luz no fim do túnel
fiz da minha derrota um reconheço
aprendi a ir com calma
respirei fundo e fechei os olhos
parei de deixar a vida me levar

Admita, você também ficou com medo
você ficou com medo quando percebeu que havia me perdido
ficou com medo quando eu finalmente fui embora
mas eu não podia ficar te esperando para sempre
não podia ficar indo sempre pela direção contrária
eu estava perdendo o foco, o equilíbrio
morrendo aos poucos
e todo mundo percebeu
menos você
Eu queria que você soubesse



Eu queria que você soubesse que hoje, quando nós dissemos todas aquelas coisas um para o outro, eu pensei em desistir. Pensei em largar tudo, pegar minhas coisas e ir embora. Mas eu não fiz isso. Como você pode ver, eu ainda estou aqui. Eu ainda estou aqui porque você é uma parte muito importante de mim, e eu sinceramente não sei se estou pronta para dizer adeus.

Eu queria que você soubesse que, depois da nossa briga, eu me tranquei no banheiro e chorei por quase uma hora. Sabe, botei tudo para fora. Meses e meses de mágoa e sentimentos que estavam me correndo por dentro. E foi tão bom... tão libertador. Eu precisava disso, sabe? Eu precisava desse choque de realidade para conseguir admitir que sim, nós estamos quebrados.

Eu queria que você soubesse que eu menti. Eu menti hoje, menti ontem, menti por meses. Menti quando disse que estava tudo bem, menti quando disse que nós íamos conseguir superar toda essa merda. Menti quando eu disse que não sentia ciúmes das suas amigas, menti quando disse que estava tudo bem esperar por você até tarde da noite. Menti quando disse que eu ainda te amava do mesmo jeito que antes.

Eu queria que você soubesse... eu queria que você soubesse de tantas coisas! Tantas, tantas coisas...

Quando é que a gente deixou de conversar? Quando é que a gente abraçou o silêncio? Quando é que a gente parou de confiar um no outro? Quando é que a gente começou a sentir ódio, não amor?

São muitas perguntas. Muitas perguntas sem respostas.

Eu queria que você soubesse... que eu não sei como superar isso tudo.

Você sabe?
É aqui onde eu me encontro



Há um grito em minha garganta
pronto para sair, pronto para sair
Estou com tanto frio
mas tudo parece bem, parece bem
Ah, se soubesse a diferença...
de como eu estou e como eu me enxergo
Há tantos caminhos, tantas encruzilhadas
e eu sei que só você pode me fazer
voltar para casa

Eu tenho muito a dizer
mas nada a acrescentar, nada a acrescentar
Você pode me ensinar a diferença?
Eu tenho muitas coisas para fazer
mas nada para concretizar, nada para concretizar
Você pode me ensinar a diferença?
Pois você me conhece, você me conhece
é muito fácil seguir em frente
quando não se tem mais nada a perder

Eu sai de casa aos dezoito anos
invadi a cidade grande pra tentar a sorte
Você percebe?
Eu deixei um pedaço de mim quando fui embora
mas não precisa se preocupar
não há nenhuma urgência aqui, há?
E é nesse momento em que eu abro os olhos
respiro fundo e admito que não há nenhuma vergonha
em admitir que eu preciso de alguém além de mim

São sete horas de uma manhã de sábado
estou com as malas prontas
pronta para voltar para casa
Não, nesse momento eu não tenho medo
nesse momento eu não sinto tristeza
Estou voltando para o meu lar
para perto de minha família
Você percebe a diferença?
Estou de volta a minha cama
e ela é quente e acolhedora como sempre

Não vou mais reter os meus sentimentos
não vou mais ter vergonha de pegar o telefone
e dizer que preciso conversar
Eu não tenho que ficar sozinha!
Eu não preciso combater os meus demônios
sozinha
E tudo ficará bem, ficará bem
Eu sei exatamente onde ir
sei exatamente onde me encontrar

É aqui onde eu me encontro
ao lado daqueles que sempre me estenderam as mãos
É aqui onde eu me encontro
quando estou prestes a quebrar
É aqui onde eu me encontro
quando estou prestes a desistir

Lar 
no image



As pessoas estão acostumadas a contentar-se com pouco. Elas contentam-se com qualquer relação, qualquer pessoa, qualquer coisa, qualquer situação. Contentam-se com sentimentos, que, muitas vezes, nem entendem. Sentimentos passageiros. Sentimentos que são mantidos por pura preguiça. E estagnam. Estagnam porque a comodidade e a rotina são muito melhores do que a mudança. Estagnam porque, com o tempo, passam a ter medo da solidão. Solidão essa que, vejam só, é incompreendida. É assim que vivemos: encasulados no conforto de uma relação miserável, que só existe pelo simples fato de existir. E é exatamente isso o que nós temos: relações que não somam, e sim subtraem.

E o que nós fazemos para mudar isso?

Nada.

É, meu amigo:

Nós namoramos e ficamos com alguém por tudo...

Menos por amor.
Ao meu querido carma


Um dia você se pegará sentado na cama, pensando em todos aqueles sonhos que você deixou para trás. Você ficará confuso, se perguntando porque aqueles pensamentos estão invadindo sua mente agora. Justo agora. Você perderá a concentração, o senso de direção da sua vida. E então, por um segundo, apenas por um segundo, você se transportará para aquela época. A época onde tudo parecia ser fácil. A época em que você ainda estava ao lado dela

O tempo, a sua memória, tudo conspirará contra você. É neste momento em que você percebe que sua vida se tornou melancólica, um emaranhado de coisas, pessoas e momentos sem sentido. E nada do que você faça, absolutamente nada, pode apagar o fato de que você é autodestrutivo (e gosta disso). É parceiro. Ela se foi há três anos, mas você ainda pensa naqueles cabelos vermelhos. Mas tudo bem. Você pode conviver com isso. Não pode? 

Talvez seja falta de paciência, vontade ou empatia, mas você nunca conseguiu seguir em frente. Várias outras mulheres passaram por sua vida, sua cama, seu coração, mas nenhuma delas te tocou como ela tocou. Você nunca esqueceu. Nunca. Cada detalhe está guardado na sua mente, como se fossem pequenas joias raras. E nesses raros dias, onde você deixa todas essas verdades transbordarem do seu peito vazio, você percebe que sua vida é um filme que não se cansa de se repetir, só porque você é tolo o suficiente para nunca conseguir entender o enredo.

Respira, respira, respira. Foco. 

Está tudo bem. Essa é só mais uma de suas recaídas. A terceira neste mês.

Amanhã será outro dia. 


O que eu quero

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Você apareceu. Por um tempo achei que não daria certo, depois pensei que seria passageiro, e, por fim, quase acreditei que tu não existia. Não podia existir. Mas existe. Você transformou o meu mundo, me fez feliz, somou a mim, completou cada parte falha e desajeitada do meu ser. Pois é. 

Não te encontrei em um dia ensolarado, no parque, sorrindo. Naquele dia, tinha tudo para dar errado - mas o destino, quando quer, não falha. Hoje, quatro meses depois, sinto como se eu estivesse não nas nuvens, mas em um grande campo de batalhas. Eu e você contra o mundo, contra o tempo, contra a distância. Mais cinco meses e eu vou poder olhar para você todos os dias, para essa sua boca que me fascina, os seus olhos que me iluminam. Entende quando falo que me apaixonei? Tu mudou a minha percepção sobre o amor verdadeiro, pequena.  

Parece que ainda estou tentando entender como tudo isso aconteceu. Queria gritar para o mundo que estou feliz, que estou contigo, que não estou livre. Mas fico calada. Guardo esse amor para você, aquela que me acorda com textinhos de bom dia e me faz dormir mesmo quando não quero. E que esse amor não seja passageiro. Que venham outros domingos, outras quartas-feiras. Lembra daquele sorriso? Aquele sorriso que dei quando te encontrei? E como meu coração estava disparado? As minhas mãos tremiam, e eu não conseguia pensar em outra coisa. Só em você. Lembra? Continuo assim - só que agora há essa distância. Mas tu volta. Sei que tu volta para mim. 

Quero te dar todo o meu amor. Quero fazer de você a pessoa mais feliz, mais amada e mais compreendida do mundo. Quero que você saiba que eu te enxerguei em tão pouco tempo, que te amei em tão pouco tempo e que também percebi que esse amor é a coisa mais verdadeira que já senti em toda a minha (breve) vida. Quero ser o seu consolo quando alguma coisa der errado, e mesmo quando você pedir, quero ser aquela que não vai sair do seu lado. Quero que a gente se aventure pelo mundo, e que supere a rotina com sabedoria, nunca mudando o que a gente é isso. Quero ter um mini-time-de-futebol, e que os nossos filhos tenham a sua boca, os seus olhos, o seu nariz, a delicadeza das suas mãos. E, por fim, quero que você chore bastante. De felicidade, alegria, entusiasmo, saudade. Vou garantir que você não se machuque, mas, se acabar se machucando, vou ser aquela que te transbordará de amor outra vez.

Entenda que eu não sou uma pessoa perfeita, e talvez nem tenha tanto a acrescentar a você, mas estou disposta a ser as suas aspas, as reticências, o parágrafo, o travessão - nunca um ponto final. E daqui há alguns anos, quando você me achar chata e sedentária, quero poder colocar um sorriso no seu rosto, dizendo que tu é a única que faz o meu coração se encher de vida, disparar. O que eu quero? Quero te fazer sonhar todos os dias, dormindo, acordada, cochilando. Se depender de mim, vamos conseguir realizar tudo, tudo e mais um pouco.

"Yeah I've been feeling everything from hate to love to lust 
From lust to truth I guess that's how I know you"
I keep trying



Nós chegamos juntos até aqui
Eu sei, tudo está tão confuso agora
Frio, tão distante
A neve que cai em seu rosto
É a mesma que congela o meu coração
Estou entrando pela porta
Sozinha
Sempre imaginando quando você vai voltar
Como posso me sentir em casa?
Eu deixei o meu coração com você naquele dia
Quando não pude suportar a dor
De te ver partir

Meus lábios em um sorriso
Seus olhos que brilham
Só ficamos com as lembranças
Agora nada faz sentido
E como as folhas do outono
Eu continuo caindo
A magina não está mais aqui
Meu coração bate compassado
Sempre igual
Pode ser que isso seja normal para você
Mas saiba que
Eu não estou bem com isso

Cá estou novamente
Desejando nunca mais voltar
Eu costumava sorrir
Mas agora eu acordo de madrugada
Gritando, querendo de você
Eu não consigo mais lembrar!

Talvez eu conte todas as estrelas do céu
E mesmo assim não vai ser suficiente
Meu amor, meu pequeno universo
Sua foto continua estampada no meu mural
Mas já faz tanto tempo
Você se lembra?
Minha mãe disse que seria fácil
Então por que parece que
estou afundando
morrendo
A cada dia?

Tenho saudades do seu sorriso
Da sua mão quente sobre a minha
Das conversas sobre o futuro
Do som da sua risada bem perto do meu pescoço
Por que você ainda está aí?
Volte e entre pela porta da frente
Ela ainda está aberta
Não deixe as janelas se fecharem
Vamos correr pela cozinha
E fazer juras de amor
Mas não faça barulho
Há pessoas no andar de baixo

Nós ainda temos tempo?
Talvez eu esteja pedindo demais
Não, não, não
Como você consegue suportar?
Eu continuo correndo
Assustada
Isso é tão casual mas
Tão cruel

O tempo não vai passar mais rápido
Vou continuar parada no mesmo lugar
Alguma coisa mudou
Tão de repente
Por favor, me traga de volta
Gostaria de ser eu mesma de novo
A loucura está voltando
Devagar, sem pressa
Como você consegue viver com isso?
Todos os dias lembro da sua camisa xadrez
E daquele primeiro 'eu te amo'
Mas agora você me envia juras de amor
Por mensagem
Como você consegue fazer isso?

Talvez daqui há alguns anos você entenda
Que eu estava tentando
Realmente tentando
Mas aquilo foi mas forte do que eu
Então volte para cama
Amanhã vou acordar pensando em você
E no que posso fazer para suportar
Essa dor
rush (+18)



Queria poder
chegar mais perto
bem mais perto
e ter você
aqui

Eu vou rezar
para você aparecer
descendo a avenida
e sentar numa mesa de bar
naquela esquina

Poderia ser você

Quando você descobrir os meus segredos
meus medos
defeitos
e souber de tudo
você ainda vai me amar?

Descendo as escadas
com a sua lingerie preferida
''oh darling, so sweet, so wet''
apenas divirta-se
eu quero ser o seu brinquedo essa noite

Poderia ser você

Seu corpo sobre o meu
mais rápido, mais lento
lamadrid malbec
''so hot, so sweet''
faça o que quiser fazer
e não pare, não, não pare

Vamos jogar aquele jogo
nossos corpos sobre a mesa
seus lábios nos meus
''fuck me, so fuck me baby"
faça o que quiser fazer
e não pare, não, não pare
Al. Santos, 1437



Al. Santos, 1437
Thalassitis, rosas vermelhas
A sua massa preferida
Você sabe, nada disso foi suficiente
Nós estávamos tentando esquecer
O que já estava esquecido

Deitadas em uma cama desarrumada
Rindo nervosamente
Você estava tão corajosa
Certa de que poderíamos ter tudo
Tão doce
Enquanto lembrávamos do passado

De repente, medo
Eu fugi pelas escadas
Você estava parada no corredor
Lágrimas, gritos e poesia
O gosto amargo dos seus lábios
Em mim

Al. Santos, 1437
Você disse tantas coisas
"Eu preciso de você''
E eu só queria ir para casa
Quando tudo começou, a alegria
Agora, dor

Janelas da alma
Seus olhos, azuis
Lábios, lábios macios
Quentes como brasa
Agora frios como gelo
no image


10:30. Falta pouco. Olho para o relógio mais uma vez, como se esse movimento pudesse fazer as horas passarem mais rápido. Respiro fundo. Uma, duas, três vezes. Balanço os pés. Volto a pensar em nós. Sorrio, afinal, sei que você iria odiar essa minha ansiedade, a minha necessidade de fazer alguma coisa, o tempo todo.

Chega uma mensagem sua. Não sei se sorrio ou se choro. ''Está acabando. Sim, a semana está acabando''. Afasto esse pensamento cruel da cabeça. 11:30. Você está no ônibus. É agora!

As pessoas estão olhando para mim. Passaram a manhã olhando. Será esse sorriso bobo que não sai do meu rosto? Ou essa vontade incontrolável de gritar a minha felicidade? Não sei. Sorrio de volta. Sorrio para o mundo. Sorrio para as pessoas que passam pela rua.

Chuva. Olho para a direita, mordo os lábios, procuro por você. Pego o telefone. Olho para esquerda. Estou tremendo, meu coração está disparado. Como você consegue fazer isso comigo? Como? E lá está. De vermelho, minha cor favorita. Minha vontade é de correr, correr para os seus braços, para os seus lábios. Mas me contenho. Sempre me contendo. Sempre.

A tarde não passou rápido, mas deveria ter passado mais devagar. Cada minuto ao seu lado é como dançar com as estrelas. Eu já disse isso? É. Acho impossível que duas pessoas que se conhecem há pouco tempo e nunca se viram se encaixem tão bem. Mas agora isso é racional, real, e, apesar de não explicar nada sobre esse nosso abraço, eu entendo. Agora entendo.

Sua mão na minha. Nós nos encaixamos tão bem! Seu sorriso deixa a minha cabeça zonza, e sua voz, com seus lábios no meu pescoço, me deixam com vontade de ter você só para mim. Todo tempo. Todo, todo tempo. 

''This feels like falling in love''. Alguma vez você já desejou que um momento durasse para sempre? Seis palavras que não saem da cabeça, seu corpo bem perto do meu, nossas mãos entrelaçadas. Sinto tudo ao mesmo tempo: amor, saudade, raiva, dor, tristeza, felicidade. Contigo não há meio termo. Há só uma vontade incontrolável de implorar para que você fique. Quem sabe? Não seriam só quartas, mas segundas, terças, quintas, sextas. Semanas, meses, anos. Mas não. Você entrou naquele trem e deixou saudade. Saudade. Só saudade.

(...) 

Três dias depois. Estou na cama com o celular ainda em minhas mãos. Abro os olhos preguiçosamente, pisco algumas vezes. 9:36. Você está nas alturas! Você está lá, eu estou aqui. A cabeça tenta despertar, mas a dor que lateja em meu peito é mais forte. As lágrimas caem, e penso se é nesse momento em que descubro que gosto muito de você. Deveríamos ter aproveitado mais? Acho que eu deveria ter amado mais, me expressado mais. Maldita vergonha. Maldito medo. Maldito!

Queria mais tempo. Mais tempo para te beijar, abraçar, ficar perto. Sem despedidas, sem lagrimas, só eu e você. Mas não. O tempo é cruel e nós sabemos. Sempre foi, e vai continuar sendo - ainda temos sete meses. Sete longos e intermináveis meses. Mas eu espero. Espero, porque, neste momento, é a única coisa que posso prometer.

E esse meu amor? Ele ainda é um recém nascido, mas é o que tenho para oferecer. Ele surgiu de repente, mas foi maior do que qualquer coisa. E tem também essa minha vontade de você, estar perto, dizer bobagens, besteiras. Sei que ainda não posso te oferecer uma vida, mas posso oferecer metade da minha. Vamos caminhar ao entardecer, de mãos dadas, esperar o momento certo. Um dia, mais tarde, talvez, estaremos nesse mesmo lugar, rindo daquele dia em que eu disse que queria você para sempre.

Então fique. Acho que temos muito pela frente. Se você cansar de esperar, desmaiar, posso somar o meu corpo ao teu e viver por você. Posso viver por nós duas. Deixe-me ser o seu pesar, sua dor, o teu medo. Deixe-me respirar o mesmo ar, te levar para as estrelas. 

E agora, mesmo longe, entendi que consigo gostar de você apenas com as minhas memórias, e elas nem me fazem sentir o que eu sinto quando estou com você. Nem chegam perto. Mas tu volta. Sei que tu volta para mim. 
Paulista


É madrugada na avenida mais bonita da cidade. Os carros, como as estrelas, iluminam os passos que ecoam em meus ouvidos. Mãos nos bolsos. A lua, tão distante e tão sozinha, é a minha única companhia. Ontem foi assim. Anteontem. Antes. Vivendo um dia após o outro, tentando esquecer o passado. O relógio, velho e gasto, já não dá mais as horas. Tenho que me contentar com estranhos, aqueles que andam apressados. As ruas parecem labirintos, como os seus lábios. Lábios que um dia foram meus, pequena. Tento esquecer. Mais uma vez. Ontem foi assim. Tentei me embriagar naquele bar que costumávamos ir juntas. O garçom me reconheceu, disse que eu estava diferente. Que nada! Uma, duas, três doses. Queria estar me embriagando de você, pequena. Mas estou aqui. Estou na avenida mais bonita da cidade - o nosso cantinho, o pedacinho cinza de nossos corações vazios. Perseguindo montanhas-russas. É assim que eu me sinto. Todos os dias.