Mostrando postagens com marcador vidaT. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vidaT. Mostrar todas as postagens
Fragilidade



Descobri que a nossa relação é frágil. Fraca. Cheia de problemas, dificuldades e barreiras. Você já reparou como estamos, na maior parte do tempo, nos preparando para a nossa próxima briga? Estamos sempre nos perguntando coisas como 'quanto tempo nós temos até tudo desmoronar?', 'um dia, um mês, um ano?', 'se eu me entregar, vou sofrer?', 'ela gosta de mim tanto quanto eu gosto dela?', 'quando tudo isso vai acabar?'. Nos transformamos em uma bagunça, duas pessoas que se perderam e se encontraram em um beco sem saída. E eu tenho que admitir, ás vezes você me sufoca. Ás vezes, é difícil continuar gostando de você. Ás vezes, você me tira tanto o ar que é quase impossível continuar respirando. Quase sempre, eu também sinto como se estivesse pisando em ovos, nunca em terra firme. Todas essas coisas me trazem excitação, mas também ansiedade. Uma ansiedade que me corrói e que acaba com o meu sono. Antes de dormir, todas essas dúvidas intermináveis me acertam em cheio e eu realmente considero ir embora. Mas eu não vou. Nunca vou. Não vou porque sei que nem todos os relacionamentos são perfeitos, sólidos e saudáveis, que apesar de toda a fragilidade, vulnerabilidade, ansiedade, dificuldade e interrogações, nós temos algo especial e extraordinário. Há beleza na nossa bagunça. 
A vida é muito mais do que apenas sobreviver



Quando foi que gostar de alguém deixou de ser simples? Quando foi que deixamos nossos medos falarem mais alto do que nossas vontades? 

Nós nos enclausuramos dentro de nós mesmos. Construímos barreiras para que nenhuma pessoa consiga chegar perto de nossos corações. Descobrimos atalhos para sermos auto-suficientes e felizes o tempo todo. Nos tornamos práticos e excluímos palavras como persistência e reciprocidade dos nossos dicionários. Criamos exigências e desculpas demais, e, principalmente, enfiamos um mantra em nossas cabeças: Eu estou bem sozinho. Por um tempo, essa ditadura funciona. Até que você percebe... 

Você está sobrevivendo. 

Mas você não deveria só sobreviver. Você deveria viver. Se permitir. 

Só que é difícil viver depois de passar tanto tempo apenas sobrevivendo. É difícil quebrar as amarras e o conformismo, e ainda mais difícil vencer os seus medos. A verdade é que você se tornou um frouxo. Um covarde. Um medroso. Ao se trancar no seu mundinho particular, onde você prefere ficar horas e horas vendo séries do que viver experiências reais e desabafar no twitter em vez de conversar com uma pessoa cara a cara, você acabou se esquecendo de que há um mundo inteiro lá fora, cheio de gente, lugares e novidades.

Eu sei que essas coisas aconteceram porque você se machucou muito no passado e agora está tentando não se machucar novamente. Sei que você se priva de certas coisas porque tem medo de quebrar a cara novamente. Mas, por quanto tempo mais você irá arrumar desculpas para não se entregar para uma outra pessoa? Até quando você vai ficar no "e se?". Até quando você irá afastar as pessoas só porque acha que não pode dar o que elas estão pedindo? Até quando vai se privar de viver uma paixão ou um grande amor? 

Olha, eu também sei que amar pode ser difícil. Amar nos causa alguns efeitos colaterais, é verdade. Vazios, nós na garganta, ansiedade, tremedeira, embrulhos no estômago, saudade, e, algumas vezes, até tristeza. Só que, junto com esses efeitos colaterais, o amor também nos presenteia com vários outros sentimentos. Com o tempo, você irá descobrir que não há nada melhor do que sentir-se amado acima de qualquer defeito ou dificuldade. Você terá momentos em que irá querer ficar sozinho, mas descobrirá que é muito melhor ter alguém para te abraçar na cama no final de um dia estressante. Quando você encontrar alguém capaz de deixar seus próprios problemas, sonhos e sentimentos de lado só para te ouvir e te confortar, você entenderá que sofrer por alguns efeitos colaterais do amor vale a pena, afinal. 

Você entenderá que viver é ter que enfrentar, todos os dias, um mar de dificuldades e incertezas, e que ás vezes nós vamos sim quase nos afogar, mas, enquanto tivermos alguém para nos amparar, vamos sempre conseguir nadar contra a maré. É a natureza humana. Enquanto estivermos vivos, respirando, vamos nos reerguer para nadar mais um pouquinho. 

Lembre-se: a vida pode ser muito mais do que apenas sobreviver. E, se não der certo da próxima vez, tente de novo. Persista. O amor cura. O amor transforma. O amor liberta. 
Fight letter



Hoje eu acordei com vontade de dizer ao mundo que eu não desisti. Eu não desisti dos meus sonhos, eu não desisti de fazer o que eu gosto, eu não desisti de acreditar, eu não desisti de lutar, eu não desisti de viver, e, principalmente, eu não desisti de mim mesma. É verdade, eu passei por seis meses bem difíceis, talvez os piores da minha vida, onde eu me isolei do mundo e afundei na minha própria escuridão e pensamentos, esqueci que era preciso lutar contra os meus demônios... mas, aos poucos, estou voltando para a luz. Não é fácil. É preciso viver um dia de cada vez... e eu estaria mentido se dissesse que estou feliz em 100% do tempo como antes, mas, comparado ao que passei, estou bem feliz em dizer que as coisas estão mudando para melhor agora. E sabe de uma coisa? É um alívio desabafar dessa maneira, porque só hoje eu percebo que não preciso ter vergonha de nada (do meu jeito, das minhas loucuras, do meu riso alto, da minha tremedeira, das minhas escolhas, dos meus fracassos, das minhas derrotas, dessa minha vontade de abraçar o mundo e amar e acreditar em todas as pessoas). Tudo aquilo que acabou comigo só me deixou mais forte! 

Eu perdi muitas coisas nesse período - a vontade de sonhar, de sorrir, de acreditar que no final tudo dará certo - mas, acredite, eu voltei a ganhar coisas, a conquistar coisas e a acreditar que TUDO dará certo. Eu voltei a acreditar. Eu acredito. Obrigada mamãe e papai por serem sempre a minha linha de chegada. Vocês sabem que eu sempre serei uma garota estranha e dócil com alma de camaleão, e às vezes isso é tudo o que eu posso oferecer. Mas as coisas estão mudando. Eu quero sonhar outra vez! Eu posso fazer isso outra vez. 

Vivendo e aprendendo. 

 Luz!


Perto de você



Não há nada melhor do que acordar de manhã
olhar para o lado
e ver você
dormindo

Mas é no café da manhã
quando nossos olhos se encontram
que descobrimos que não há mais afeição
nada para compartilhar

Nós tínhamos uma conexão
era isso que todos diziam
mas isso se foi
tudo o que amávamos se foi

Eu deveria ser mais esperta
deveria deixar você ir embora
porque é isso que as pessoas que amam
fazem

Você não precisa mais da minha proteção
não precisa mais do meu ombro amigo
não precisa mais dos meus conselhos
e da minha compaixão

Mas quem disse que eu consigo ir?
quem disse que eu consigo deixar você ir?
eu preciso estar
perto de você
que pena
porque estou tão perto de estar
perto de machucar você
outra vez
você quer descobrir?

Você sai pela porta bem na hora em que eu saio do banho
a casa está tão vazia e silenciosa
eu posso te culpar por isso?
ou eu deveria me culpar?

Talvez
talvez

Você está no trânsito
está tocando a nossa música
mas quem disse que você se lembra?
quem disse que você se importa?

Que pena
que pena

Eu deveria ir embora
mas quem disse que eu consigo ir?
quem disse que eu consigo deixar você ir?
eu preciso estar
perto de você
e isso é tão triste
porque eu estou tão perto de estar
perto de machucar você
outra vez
será que queremos descobrir?
Eu não posso mais ver você partir


E chegamos naquele ponto em que você me odeia e eu já não suporto mais olhar para sua cara. É triste, eu sei. A verdade é que deixamos as coisas acontecerem. Enquanto eu lutava, você preferiu me ver ir embora. Mas a culpa não foi só sua. Fomos nós que deixamos o barco afundar, viramos as costas para a verdade, e, principalmente, para a nossa amizade. 

Houve um tempo em que eu queria mais para você do que para mim mesma. Houve um tempo em que a nossa amizade era uma das coisas mais importantes na minha vida. Houve um tempo em que só você conseguiu me entender. Houve um tempo em que achei que seríamos amigas para sempre. Bons tempos. Bons tempos. 

Mas, tudo o que eu sinto hoje é saudade. Saudade não... Nostalgia. E, de todas as coisas que poderiam acontecer com a nossa amizade, essa é de longe a pior. Eu já tive medo de perder você, já tive raiva das suas atitudes, mas, hoje, tudo o que sinto é que nós já demos o que tínhamos que dar. Estacionamos. Estacionamos, e, agora, nada poderá apagar as coisas que dissemos uma para outra. Entenda: não podemos voltar no tempo. Tudo o que fizemos, o que deixamos de fazer... é passado. 

A maioria das emoções humanas - felicidade, desejo, pena, raiva, medo - servem para alguma coisa. Servem para um propósito. Mas a nostalgia... a nostalgia é um sentimento amargo, fútil e inútil. Sentir nostalgia é desejar algo que está para sempre perdido. 

Eu não posso convencer você a voltar a me amar. Não posso mais implorar para que você abra os olhos. Não posso mais pedir desculpas - assim como você também não pode apagar tudo o que fez. Nos últimos meses, eu vi a nossa amizade perder a cor aos poucos, vi você indo embora aos poucos. Mas eu não consigo mais. Simplesmente não posso mais ver você partir.

É por isso que, a partir desse momento, precisamos seguir nossos caminhos. Pelo menos por um tempo, entende? Eu preciso descobrir como é a vida sem você - e eu acho que você precisa descobrir se realmente tudo isso valeu a pena. Porque para mim valeu - foi maravilhoso te conhecer. Mas, e você? Valeu a pena? Foi verdadeiro?

Eu gostaria de nunca ter que dizer essas palavras. Mas eu preciso. Eu não posso mais ver você ficar em cima do muro. Simplesmente não posso. 
Eu queria que você soubesse



Eu queria que você soubesse que hoje, quando nós dissemos todas aquelas coisas um para o outro, eu pensei em desistir. Pensei em largar tudo, pegar minhas coisas e ir embora. Mas eu não fiz isso. Como você pode ver, eu ainda estou aqui. Eu ainda estou aqui porque você é uma parte muito importante de mim, e eu sinceramente não sei se estou pronta para dizer adeus.

Eu queria que você soubesse que, depois da nossa briga, eu me tranquei no banheiro e chorei por quase uma hora. Sabe, botei tudo para fora. Meses e meses de mágoa e sentimentos que estavam me correndo por dentro. E foi tão bom... tão libertador. Eu precisava disso, sabe? Eu precisava desse choque de realidade para conseguir admitir que sim, nós estamos quebrados.

Eu queria que você soubesse que eu menti. Eu menti hoje, menti ontem, menti por meses. Menti quando disse que estava tudo bem, menti quando disse que nós íamos conseguir superar toda essa merda. Menti quando eu disse que não sentia ciúmes das suas amigas, menti quando disse que estava tudo bem esperar por você até tarde da noite. Menti quando disse que eu ainda te amava do mesmo jeito que antes.

Eu queria que você soubesse... eu queria que você soubesse de tantas coisas! Tantas, tantas coisas...

Quando é que a gente deixou de conversar? Quando é que a gente abraçou o silêncio? Quando é que a gente parou de confiar um no outro? Quando é que a gente começou a sentir ódio, não amor?

São muitas perguntas. Muitas perguntas sem respostas.

Eu queria que você soubesse... que eu não sei como superar isso tudo.

Você sabe?
no image



As pessoas estão acostumadas a contentar-se com pouco. Elas contentam-se com qualquer relação, qualquer pessoa, qualquer coisa, qualquer situação. Contentam-se com sentimentos, que, muitas vezes, nem entendem. Sentimentos passageiros. Sentimentos que são mantidos por pura preguiça. E estagnam. Estagnam porque a comodidade e a rotina são muito melhores do que a mudança. Estagnam porque, com o tempo, passam a ter medo da solidão. Solidão essa que, vejam só, é incompreendida. É assim que vivemos: encasulados no conforto de uma relação miserável, que só existe pelo simples fato de existir. E é exatamente isso o que nós temos: relações que não somam, e sim subtraem.

E o que nós fazemos para mudar isso?

Nada.

É, meu amigo:

Nós namoramos e ficamos com alguém por tudo...

Menos por amor.
Me chame pra sair


Até quando vamos jogar esse jogo? Até quando vamos fingir que não queremos estar juntos? Até quando você vai disfarçar quando eu percebo que você está olhando para mim? Até quando vamos só flertar? Até quando vamos mudar de assunto quando você percebe que eu fico nervosa quando você chega perto de mim? Vamos lá, deixe de bobagem. Saia da sua zona de conforto. Me surpreenda. Diga alguma coisa ousada, bacana. Não deixe para amanhã. Largue dessa bobeira de achar que "ninguém quer você". Já chegou a hora de você perceber o cara incrível que você é. Sério.

Não deixe que essa nossa conexão se transforme em uma amizade - porque eu quero mais do que isso. Muito mais do que isso. Então, chega mais. Me deixa ver os seus defeitos mais de perto. Me deixa escolher se eu quero ou não estar do seu lado. Me deixa ver você. Eu quero tocar você. Abraçar você. Beijar você. Me entregar para você. E eu sei que você também quer. Então, me diz, como você pretende fazer tudo isso estando tão longe de mim? Não se acanhe.

Você sabe, eu já te dei todos os sinais. Já te olhei nos olhos, mordi os lábios, fui gentil. Quantas indiretas eu já te dei? Muitas. Então me diz, o que você está esperando? Me chame para sair. Diga, como quem não quer nada, "ei, o que acha de tomarmos uma cerveja hoje?". E, por favor, não caia na besteira de dizer "ei, vamos sair qualquer dia". Não deixe nada subtendido. Seja simples e direto. E não me deixe esperar mais um dia...

Primeiro encontro




Tá bom. Vou ser sincera. Eu sou maníaca por controle. Cuidar de tudo nos mínimos detalhes funciona em várias áreas da minha vida, mas, quando o assunto é relacionamentos, isso é totalmente inapropriado. Eu sei, eu sei. Eu fiquei nervosa. Socializar, fingir interesse, ser atraente... isso não é muito o meu forte. A verdade é que eu passo muito tempo da minha vida enfiada nos livros, vendo milhões de séries, conversando sozinha ou com o meu cachorro, que não tenho muita experiência nesse lance de romance. Eu entrei em pânico. Por não saber o que fazer, estraguei o nosso primeiro encontro. Fiquei desesperada, entrei em curto circuito. Mas essa, afinal, sou eu: Quando fico nervosa, em uma situação de risco, tento disfarçar o meu medo conversando demais, falando demais. E aí, acontece o inevitável: eu fico mandona. Querendo que tudo aconteça do meu jeito, porque, vamos ser realistas, esse é a única maneira de você não descobrir o quanto eu estou assustada. Então... me desculpe. Você é perfeito. A culpa não é sua. Eu é que sou uma boba. Uma boba nada romântica. 

Vem cá, mãe



Mais uma semana se passou, não é? Apesar de ser sexta-feira, estou longe de casa, longe de você. Mas tudo bem, amanhã estarei aí. Não se preocupe, ok? Estou em uma das maiores cidades do mundo, mas estou no caminho certo, seguindo os meus sonhos bem do jeito que você me ensinou. 

Eu sei que já te escrevi várias vezes e já te dei muitos presentes. É exatamente por isso que, dessa vez, quero fazer diferente. Quero fugir daquela dedicatória simples, compostas daquelas três palavrinhas tão comuns. "Eu te amo"? É pouco para você. É pouco para uma mulher como você, que sempre quis abraçar e resolver todos os problemas do mundo. É pouco para uma mãe como você, que sempre quis ser responsável por mim, pela minha felicidade. Então... vem cá. Vem cá e escuta.

É mãe, eu cresci. Eu cresci e agora estou ganhando o mundo, do jeito que você me ensinou. Se hoje estou realizando todos esses sonhos, é porque você me ensinou a ser forte, a nunca desistir, a levantar quando o mundo te dá uma pancada. E quer saber? De todas as vezes que caí, eu só me recuperei porque você estava ali, do meu lado. E de todas as vezes que eu me levantei, eu só sorri poque você estava ali, do meu lado.  Então, obrigada. Obrigada por abraçar os meus sonhos, problemas e por acalmar os meus medos. Obrigada por me chamar de bebê mesmo eu tendo vinte e dois anos de idade. Obrigada por ter feito de mim uma pessoa melhor, por me ensinar que é preciso acreditar e amar todas as pessoas, sempre. Obrigada por todos os abraços apertados e os beijos de boa noite. Simplesmente... obrigada.

Nos últimos anos, tivemos muitas mudanças. E por mais que eu não dependa mais de muitas coisas, eu ainda dependo do teu aconchego - porque sei que é lá que preciso estar quando as coisas desmoronarem. É mãe. Você sabe: só você me acalma. Não é mentira quando eu digo que, além de ser minha mãe, você ainda é o meu porto seguro. Meu ponto de paz, de equilíbrio. Obrigada também por isso, mãe. E, antes que eu me esqueça, obrigada por ter casado com o papai. Você escolheu o melhor homem do mundo para estar ao seu lado. 

Sabe pelo o que eu também sou grata? Sou grata por você ter criado uma pessoa com o que havia melhor em você. É mãe... hoje eu sou mulher, e tenho muito de você em mim. E quando os meus filhos nascerem, eu vou fazer questão de fazer o mesmo, só para que eles tenham, também, um pouco de você neles. E se daqui há trinta anos eu for metade do que você é hoje, o meu pedacinho de mundo será bem melhor. Porque hoje... o mundo é bem melhor com você. 

Agora sim. Agora sim eu posso dizer: eu te amo, mãe! Obrigada por ser a mulher mais guerreira e otimista que eu já conheci. Obrigada por ser a melhor mãe que alguém poderia ter. 

assinado: seu bebê. 



no image



Nos últimos meses, venho dispensando muitos convites para sair. E isso acontece não porque estou sem tempo, mas sim porque tenho preguiça de ser interessante. Isso mesmo. Preguiça de ser interessante.

Sabe aquela velha história de sentar na frente de uma pessoa em um restaurante e fingir que está interessada no papo? Cansei. Cansei de ter que sorrir, rir, arregalar os olhos, cruzar as pernas, umedecer os lábios, questionar e concordar nos momentos certos. Cansei de ficar apreensiva, pensando coisas como "será que ele está gostando de mim?". Cansei de fazer a 'linha educada', aceitando bebidas e comidas que não gosto só para agradar. Cansei de mentir que já assisti determinado filme/série só para parecer cult, de dizer que o último livro que eu li foi uma biografia fodona de um cara que eu nunca ouvi falar só para parecer inteligente.

A verdade é que o ser humano tende a se adaptar para querer agradar o outro. A cada encontro, é como se você criasse uma nova personalidade, que atenderá aos desejos e necessidades do futuro parceiro. Mas eu cansei disso, sabe? Não precisa ser assim. Tem muito homem/mulher no mundo! Eu quero poder ser eu mesma. Quero poder dar um novo rumo na conversa quando estiver com tédio, e até discordar quando for preciso. Quero poder dizer que o último livro que li foi um desses best-sellers bobinhos, e que o último filme que assisti foi uma comédia romântica que me fez chorar do inicio ao fim. Quero poder ficar séria quando uma piada for ruim, quero poder fazer piada da própria piada. Quero revirar os olhos. Quero poder dizer que só estou interessada no que vamos fazer depois do encontro. E quer saber? Nada disso poderá definir quem eu sou.

Ninguém conhece ninguém de verdade. Gostamos de julgar, apontar erros, mas raramente paramos para pensar nos nossos próprios defeitos. Só porque gosto de determinado filme, livro ou música não quer dizer que eu não tenha conteúdo. E se eu parecer estranha, avoada, desastrada ou até mesmo chata num primeiro momento, não pense que eu não tenho muitos segredos ou que sou uma pessoa superficial. E isso tudo bate de frente com pensamentos como "não vou falar isso porque ele pode me interpretar mal". Vamos parar um pouquinho para pensar? Antes de sair comigo, você não precisa realizar uma pesquisa para saber exatamente do que gosto. Não diga que assistiu determinada série só porque você sabe que vou gostar de ouvir isso. Vamos nos deixar levar, vamos nos apegar ao mistério, a promessa que, no dia seguinte, poderá ser tudo diferente. Faça de mim um livro, onde, a cada página, você descobrirá novas coisas e terá que interpretar novos fatos. Vá com calma, um passo de cada vez. E, por favor, seja você mesmo. E deixe eu ser eu mesma também.
no image



Ouvir o que você fala é como assistir ao meu filme favorito. Eu já sei todas as falas. E mesmo sabendo o que vai acontecer no final, eu sempre me pergunto se não posso mudar alguma coisa. Como fazer a minha mão parar de tremer toda vez que você chega perto? Como fazer o meu corpo responder ao seu toque? Como fazer você entender que estou gostando de você? 

São tantas perguntas sem resposta. E, vamos lá, a verdade é que você nunca está aqui para respondê-las. Essa é a pior parte. Eu me sinto numa montanha russa, sem cinto, sem segurança, sem uma mão para apertar. Não sei como agir. Não sei como fugir. E você está sempre ocupado. Sempre me dispensando, me deixando confusa. E o pior de tudo é que eu ainda continuo aqui. O que você fez comigo? 

Há dias em que você me acorda com mensagens fofas de bom dia. São nesses dias - tão cheios de promessas - que a minha esperança se eleva em uma porcentagem jamais vista. Mas ela não dura por muito tempo. Você consegue me tirar do paraíso em questão de segundos, me transportando para um mar de incertezas e mentiras. Há dias em que ficamos no silêncio. Sem nada para dizer. Meus dedos coçam, porque quero te procurar - quero desabafar sobre o meu dia, quero perguntar sobre o seu trabalho, quero propor um drink no final do expediente. Mas não posso. Não posso porque as regras já foram impostas. 

Acho que você está em outra sintonia. 

Hoje é um daqueles dias em que meu pobre coração fica apertado. Nós não conversamos. Eu não vou te ver. Aliás, depois da última vez, eu sinceramente não sei se vou te ver de novo. Algo aconteceu. Algo muito estranho - e errado - aconteceu. E não podemos voltar atrás. Não agora. É. Não agora. 

Eu devo ser uma boba mesmo. Uma boba por acreditar, por esperar, por querer fazer o certo. Uma boba, que está dispensando os melhores caras só porque não consegue esquecer o que aconteceu há alguns dias atrás. Por que insistir?

O que mais eu posso fazer? 

Sempre fui boa com as palavras, mas agora parece que elas estão fugindo de mim. Escapando por meus lábios. Escapando por meus dedos. Nunca fui boa nessa história de romance - depois de quebrar a cara algumas vezes, comecei a ditar as regras. E tudo estava funcionando. Até você aparecer. Agora, estou num mar desconhecido. Nadando na vulnerabilidade. Sem saber o que fazer. Sem saber para onde ir. E o mais triste é que, pelo menos agora, me parece que a pessoa que eu mais quero, mais anseio, não pode ser minha. 
O que se leva da vida



Já dizia Túlio Dek: O que se leva da vida é a vida que se leva. 

Hoje encerro uma etapa em minha vida. O sentimento é de perda, sim senhor, mas tenho, em meu coração, uma chama que cresce a cada segundo. Há três anos, neste mesmo mês, eu me mudava para São Paulo. Estava com duas malas. Itens pessoais; fotos da minha mãe e minha irmã que deixei para trás, e roupas suficientes para passar uma semana na cidade grande. Se eu estava com medo? É claro que estava. Mas o meu pai estava comigo. Quando cheguei na "casa nova", encontrei um quarto pequeno, sujo. Com um sorriso no rosto, nós começamos a limpar tudo.

Aceitei aquilo de braços abertos. Com muita força de vontade. Claro que, nos primeiros meses, tive uma saudade incontrolável de casa. Morria de medo das baratas que insistiam em aparecer do nada. Mas, com o tempo, percebi que aquela cidade era o meu verdadeiro lugar. Então comecei a cursar jornalismo, meu grande sonho. Fiz amizades. Entrei para o meu primeiro estágio. Em três anos, troquei de quarto, pintei paredes e ganhei móveis novos. Muitos móveis novos. Aquela cama barulhenta, que tanto incomodava, já nem existe mais. Até hoje, eu tinha o quarto dos sonhos: paredes azuis e amarelas, pintadas por minha mãe, uma grande mesa para escrever e uma linda estante de livros.    

Acontece que, como todo conto de fadas, o vilão apareceu. Até que demorou um pouquinho, sabe? Não vou mentir, esses três anos tiveram muitos momentos difíceis. Já cheguei a pensar em desistir. Mas nunca fiz isso, porque se tem uma coisa que aprendi com meus pais, é que todo problema, por mais tenebroso que ele possa aparecer, tem solução. Só que, desta vez, a solução está demorando um pouco para aparecer.

Eu e meu pai vamos ter que mudar de casa. Esse momento ia chegar um dia, claro, mas é que hoje, quando empacotei as últimas coisas, é que percebi o quanto sou grata por aquele lugar. Grata por todas as risadas e gargalhadas. Pelos jantares divertidos, os churrascos improvisados e todas as lembranças que martelam em meu peito como farpas. Grata por ter tido um teto enquanto tantas pessoas desistem de seus sonhos por falta de oportunidade. Eu tive uma. E vou ser eternamente grata por isso.

E você pai, que ontem estava tão triste, cabisbaixo, relembrando de tudo o que passamos, uma mensagem. Não importa para onde teremos que ir. Eu vou estar com você. Você vai estar comigo. Isso tudo começou há três anos, e você estava lá para me ajudar - me ajudando até com as roupas sujas espalhadas pelo quarto, né? -, então não se preocupe. Aquilo são só tijolos velhos. Uma casa que, em breve, será ocupada ou demolida. Todos os nossos momentos, as risadas, os sonhos e as lembranças estão aqui, conosco. Em nossos corações. Isso pai, isso ninguém pode tirar. 

Cabeça erguida e vamos seguindo em frente. Vamos continuar batalhando, sorrindo e valorizando todos os pequenos momentos. São eles que importam. E obrigada. Obrigada por tudo o que você fez por mim. Por todos os degraus que você e a mamãe colocaram em minha pequena e frágil escada. Se daqui há quarenta anos eu for metade do que você é hoje, eu com certeza vou ser um ser humano admirável. Digna de palmas.

Hoje você merece palmas pai. Eu te amo. Muito. Meu herói.
Você acabou de perder essa mulher


Ela aparece quando você não está precisando de alguém. Sabe aquele momento em que você se basta? Então. Seus amigos estão cuidando de você, e o seu emprego está rendendo bons frutos. Mas, fazer o que, ela apareceu. Vocês saem algumas vezes, e, apesar de tudo ser intenso, você acredita que pode seguir em frente. Sabe, deixar ela de lado. 

E então acontece. 

Ela começa a sair com outro cara. Por algum tempo, você até esquece, mas depois fica difícil fingir que está tudo bem. É. O improvável aconteceu. Você começou a amá-la quando ela começou a gostar de outro cara. Mas, agora eles estão juntos, e não há nada que você possa fazer. E sabe o que é pior? Sua vida não anda mais tão bem assim.

Você percebe que precisa de alguém para conversar. Para jogar conversa fora. Alguém para rir, chorar. Alguém que vai estar do seu lado quando o seu chefe te esculhambar na frente de todo mundo. Alguém para ouvir os seus problemas. Ah! E sabe os seus amigos? Dois deles arranjaram namoradas. Outro, mudou de cidade. E agora até mesmo aquele seu colega mais distante, que às vezes aparecia no bar, também encontrou alguém. E você está aí. Lembrando dela. 

Porque agora tu sabe da verdade. Há muitos tipos de mulher por aí. Tem aquela louca, que em uma semana já te tira do sério. Tem aquela que vai fazer você lembrar de uma ex. Tem outra que vai fazer você esquecer todas as mulheres que passaram por sua vida. Tem aquela que é pra casar e ter filhos. Tem aquela que vira amiga. E tem ela. Aquela mulher incrível, intensa e inteligente que você deixou passar, só porque estava com medo de se entregar. 

A partir de agora, o seu maior arrependimento será este: ela quase foi sua. 
A conversa que nunca tivemos



 — Numa escala de zero a dez, o quão ruim foi?
                 — A gente não precisa... ter essa conversa.
                 Revirei os olhos. Depois de uma noite de sono péssima, tudo o que eu precisava era da verdade. Minhas mão ainda estavam tremendo. Por que isso estava acontecendo?
                 — A gente não pode simplesmente esquecer que aquilo tudo aconteceu? - ela voltou a dizer. — Seria melhor.
                 — Então você quer dizer que, apesar daquela catástrofe, eu ainda posso ter uma chance com você? Porque é isso que eu quero.
Silêncio.
— Você me deixa confuso. Você é fofa e atenciosa num momento, e, no outro, parece que estou te enchendo. Sabe... ultrapassando os seus limites - respiro fundo, pronto para o xeque-mate. — O que você quer de mim?
— A gente só deveria ir... com calma. Entende? 
— Eu estou indo com calma. 
— Ontem você disse que gostaria de me ver todos os dias e...
Definitivamente, não. 
— Não foi assim... - respiro fundo, arfando. — Todas as garotas esperam ansiosamente por uma mensagem depois do... primeiro encontro. Mas o nosso foi tão... 
— Estranho? 
— Estranho. - fecho os olhos por dois segundos. — E aí, você ficou quieta. E eu mandei a mensagem. - repuxo os lábios, a raiva subindo por minha garganta. — E, no dia seguinte, você fingiu que nada aconteceu. 
— Nós não temos nada!
— Mas eu gostaria de ter. Um dia. 
Silêncio. 
Silêncio. 
Resolvo falar. 
— Olha, eu não tenho tempo nem idade para joguinhos. Eu estou numa fase que... quero estabilidade. Alguém do meu lado. 
Ela continua quieta. 
— Quer saber? 
— Quero. 
— Eu deveria ter te beijado assim que te vi. Ter pego na sua mão logo que entramos no bar. Ter dito que você estava linda com aquela blusa... ter feito tudo sem medo, sem timidez... 
— Sem tremedeira. 
— Sem acabar com tudo.  
— Mas você não fez nada disso. 
— Eu não sou uma propaganda enganosa. 
Silêncio. Desconfortável, ela se remexe na cadeira. 
— Eu não gosto de planos. 
BOOOM. Está aí a minha verdade. 
Acho que ela percebeu que fiquei desconfortável. 
— Você é uma gracinha. 
Terceiro erro. 
— Obrigado. 
Mais uma longa pausa. Silêncio insuportável. 
— O que você vai fazer hoje? 
— Você disse que não gosta de planos. 
— Ninguém aqui está fazendo planos. 
— Ainda. 
Chuva não cai pra cima



Se já entendeu, né? A verdade todo mundo sabe. Mas todo mundo esquece. Neste ano, dancei ao som de Fancy e Shake It Off, mas chorei ao som de Home. Pensei em desistir e jogar tudo pro alto. Desejei até voltar para casa, e acabar com todos os meus sonhos. Que bom que não o fiz. Eu aprendi tanto! Dentre as minhas preciosidades de 2014, está a percepção que não podemos desistir até que o relógio pare. Clichê, é verdade. Mas o que seria de nós, meros mortais, sem os nossos clichês? O mundo anda perdido demais. Hoje em dia todo mundo cuida da vida de todo mundo. Queremos tudo ao mesmo tempo, e nesse vai e vem da sociedade, esquecemos de agradecer pelas pequenas coisas. 

É totalmente abominável pensar que você não pode ter o que quer. Mas é totalmente desprezível pensar que, para conseguir ser feliz, você precisa passar em cima dos sonhos de outras pessoas. Em 2014, eu passei sete meses pensando que estava no caminho errado, até perceber que a culpada por 90% das coisas que aconteceram comigo era uma só. Eu mesma. É aquela velha história do aqui e agora: queremos ser grandes e ricos, mas isso tem que acontecer na velocidade da luz. Então, depois de perceber que as coisas não podem ser sempre do jeito que quero, tudo melhorou. Os sonhos sempre estão há pequenos passos, e tudo piora antes de melhorar. Agora estou na calmaria, mas, acredite, eu passei por uma tremenda tempestade. 

Não é atoa que, na infância, tudo parece ser fácil demais. Mas grande parte da culpa das coisas estarem como estão também é nossa. Quando um bebê nasce, a família toda se imobiliza. Há comemoração para tudo: o primeiro xixi, o primeiro cocô, os primeiros passos, as primeiras palavras. Mas, com o tempo, tudo se torna trivial demais. Xixi e cocô são nojentos, andar passa a ser normal, cair é um mico, falar errado é feio. É muita banalidade. São cinco dias trabalhados, no maior sufoco, e, nos dias de folga, quem disse que aproveitamos a vida? Que nada. Comer e dormir é mais gostoso. Estamos sempre em cima do muro, nunca dando valor para o que realmente importa. Se acomodar é melhor do que tentar. E no Ano Novo esse ciclo se repete. Todo ano é a mesma coisa. Você faz promessas, diz que tudo será diferente, diz que vai mudar. Espera ansiosamente pelo badalar dos sinos, acreditando que alguma mágica aconteça. Mas ela nunca acontece. 00:01 e você continua do mesmo jeito. Que decepção, né? 

A mudança acontece de dentro pra fora. Não adianta esperar por um príncipe encantado ou por algum milagre. Se você não fizer algo, continuará sempre do mesmo jeito. Por isso, em vez de reclamar, pegue todas as coisas ruins que aconteceram durante o ano e transforme em algo de valor. Aprenda com os erros. Dê valor para o seu tempo. Sabe porque? Temos mania de achar que as mudanças acontecem de repente, mas essa é a maior estupidez da humanidade. As pequenas mudanças acontecem no cotidiano, no dia a dia. Há prenúncios, avisos de que alguma coisa não anda bem. Mas nós ignoramos. Ignoramos porque a comodidade já tomou conta dos nossos corações. Então, quando aquela briga ou aquela separação acontece, ficamos sem chão. Mas nada é assim tão imprevisível. Tudo acontece por alguma razão. 

Agora é a hora de recomeçar. De você transformar essa data em algo diferente. De aceitar os fins e acolher os começos. Feche todas aquelas portas e feridas que só servem para te deixar para baixo. E abra espaço para o que está por vir. O tempo está passando, sabe? E ele anda passando rápido demais. Enquanto você está lendo, milhares de pessoas nasceram e morreram. E não pense que isso é apenas mais um discurso clichê motivacional de fim de ano. Se nós fôssemos espertos, mudaríamos com os números, os dias, meses e anos. Se tivéssemos aprendido alguma coisa, não estaríamos reclamando de todas as coisas que deram errado em 2014. Se as coisas fossem diferentes, estaríamos agradecendo, celebrando a vida, renascendo. 

Então, o que desejar para 2015? Sei lá, mas acho que hoje eu vou querer algo diferente. Nada de grandes alardes. Quando faltarem apenas cinco minutos, não vou desejar riquezas e conquistas impossíveis. Vou dar valor para o meu aqui e agora. Para cada segundo do meu aqui e agora. Olhar para a minha família, que sempre esteve ao meu lado. E me lembrar das pequenas coisas. De todas as pequenas coisas que conquistei em 2014. E agradecer. Agradecer por estar viva, por ter uma casa e um emprego. E, diferentemente dos outros anos, não vou cair na besteira de pensar que tudo foi horrível. Poderia ter sido melhor, é claro. Mas chuva não cai pra cima. Em 2015, vou continuar fazendo por merecer. Rever novamente os meus atos, os meus conceitos. 

E quer saber? Quando as coisas começarem a dar errado, vou apenas respirar e continuar indo em frente. Porque se tem uma coisa que aprendi com 2014, é que mesmo quando você não está mais acreditando, é preciso insistir mais um pouco. Porque nada é assim tão impossível. 

Um feliz, muito feliz 2015! 
no image


Eu costumava saber das coisas. Sempre fui dona do meu tempo, calculando o que poderia ou não acontecer. Mas, ultimamente, tudo anda diferente demais. As noites estão cada vez mais solitárias, e os dias cada vez mais tediosos. O que aconteceu? Nada mais me surpreende. Todos os dias são iguais. Exatamente iguais. 

Me conheço. Já passei por muitas fases; amei, odiei, fui amada, idolatrada, esquecida. A diferença é que, agora, a chuva não quer passar. Tudo está desmoronando aos poucos. O tempo está passando de maneira surpreendentemente veloz e estou envelhecendo. O que eu fiz? O que eu tenho? O que vou deixar? Olhos cansados, pele fria, uma memória falha. Ás vezes, penso que posso estar apenas no fim de uma intensa caminhada. Será que esqueci das coisas boas da vida? Conforme os dias passam, eu apenas assisto a minha dor. Tudo custa muito caro, tudo exige muito de mim. É como se as coisas mais simples parecem ser sempre um grande desafio. E até mesmo levantar todas as manhãs e aproveitar o dia não chega a ser tão prazeroso quanto já foi um dia. 

A qualquer momento eu posso desmoronar de vez. Mas, enquanto isso não acontece, acho que preciso parar com as interrogações. Afinal, quando me olho no espelho, ainda sou a mesma de antes. Sei que alguma coisa mudou, mas o que posso fazer? A vida segue. A vida segue, e sempre voltamos a pensar no que poderíamos ter feito, e no que poremos fazer.
Fins e Meios


Há três dúvidas existenciais da humanidade: quem somos? Para onde vamos? O que viemos fazer aqui? Durante a nossa existência, é fácil a gente se perder da gente mesma. Ás vezes, mirar nos “fins” e esquecer dos “meios” faz com que as melhores (e pequenas) coisas da vida fiquem para trás. Por isso, antes de mergulhar nos problemas, lembre-se das melhores coisas da vida: ame mais. Olhe nos olhos, sorria mais. Seja mais gentil, mais humana. Viva como se este fosse o último dia de sua vida.
no image


      Todo mundo gosta de fazer promessas. Vinte anos atrás, quando ainda éramos jovens, gostávamos de dizer que as coisas iriam ser diferentes com a gente. Casamentos acabam, mas nós juramos amor eterno. O que será que aconteceu, então?
       O tempo passou e o nosso amor incondicional nos fez amantes do narcisismo. Para o mundo, éramos um casal perfeito, mas, com o passar dos dias, era fácil perceber que alguma coisa estava dando errado. No começo, gostávamos de falar sobre como éramos próximos, sobre como nossos filhos seriam lindos. Agora, nós não conversamos mais sobre nada. Se por fora exalamos líbido, por dentro não passamos de dois idiotas com mania de grandiosidade. E hoje, quando penso em como fomos bobos, tenho vontade de bater naquele jovem arrogante que insistiu em ignorar a realidade. 
       Sabe, alguém poderia ter me avisado. Por quê ninguém me contou que o meu casamento iria escorregar lentamente para o poço da rotina; que o sexo, com o tempo, se tornaria algo dispensável; e que o convívio iria acabar com a nossa paciência e bom humor? Se eu tivesse tido pelo menos um aviso, seria fácil encarar os problemas atuais. Mas não. Tive que descobrir, do pior jeito, que as piores brigas seriam aquelas com os motivos mais triviais. Você esqueceu de abaixar a tampa do sanitário? Ótimo. Essa é uma boa maneira de começar uma discussão sobre como nossas vidas não são mais perfeitas. 
       A verdade é que nós mudamos. O casamento cria certos padrões de comportamento para cada pessoa e, no meu caso, comecei a dizer algumas merdas de vez em quando. Enquanto isso, você se tornou incapaz de escutar qualquer problema meu e, todos os dias, reclamava que eu "só sabia falar do trabalho". Fingimos, assim, que era fácil aceitar esses pequenos defeitos. Mas não por muito tempo. 
       Sete anos de casados, e agora nós nem olhamos um para a cara do outro. Danos irreparáveis foram causados. Nós perdemos nossa inocência, quebramos promessas e, principalmente, nos tornamos imperfeitos. A confiança, estraçalhada, jaz em algum canto empoeirado de nossa relação. Lembra daquela vez que juramos que nunca iríamos fazer xixi de porta aberta? Pois é. Não deu certo. Aliás, se você parar pensar, todas as promessas que nossas versões mais jovens fizeram não saíram do papel. Uma pena. 
       Uma pena maior, porém, é que eu não posso voltar ao passado. Se eu pudesse me materializar na frente daquele adolescente bobo, inocente e sem juízo para dizer que nenhum de seus planos iriam dar certo, talvez eu não estivesse aqui hoje. "Pare de achar que sua vida é perfeita", eu lhe diria.  "Você é jovem demais para achar que é dono do mundo. Cresça!".  E se por alguma razão a história se repetisse, é porque mereço estar aqui, na sala de espera da audiência que irá me separar da única mulher que já amei na vida.

Aquilo que eu nunca te disse


Você já parou para pensar no verdadeiro significado de certas palavras? Muitas vezes, algumas coisas podem ser ditas apenas de boca para fora. Ou não. Nunca se sabe. 

Uma vez, alguém que conheci disse que "as palavras são vazias", pois só os nossos gestos podem ser reais indicadores de nossos sentimentos. Nunca acreditei nisso. Desde pequena, gostava de escrever em diários, sofria calada, pois, para mim, era melhor desabafar em folhas de caderno. Devo admitir que, até hoje, alimento esse velho hábito. Muitas coisas mudaram, mas eu ainda uso as palavras como uma válvula de escape. Pois é. Essa sou eu. 

Lembra-se de quando você era adolescente e eu era apenas uma menininha estranha? Lembra-se de quando os nossos únicos problemas se resumiam em quem iria dormir na cama de cima? Quantas brigas tivemos por causa do último pedaço do chocolate? Hoje nós somos duas mulheres, mas já houve um tempo em que éramos puras e indefesas. Naquela época, queria ser como você. Às vezes, enquanto você dormia, eu sorria ao pensar que, um dia, poderia ser linda e estilosa como você. Outras vezes, eu só chorava. Só chorava baixinho, para ninguém ouvir. 

E nós crescemos. O ser humano é falho, e o mundo cruel. Ainda não sei exatamente o que aconteceu, só sei que seguimos caminhos diferentes. Nos tornamos pessoas diferentes. Quando paro para pensar em tudo o que vivemos, não sei em que ponto exatamente nós erramos. Mas nós erramos - e como erramos. Mas tudo passa. Felizmente, tudo passa, e o que resta são apenas memórias desconexas de um tempo que não volta mais. Por isso, acho que chegou a hora de dizer o que eu realmente senti durante todos esses anos. 

Eu já tive ciúmes. Já desejei que você fosse outra pessoa, e que prestasse mais atenção em mim. Desejei um abraço mais apertado. Já tive raiva. Me odiei por desejar que nossas vidas fossem iguais aos dos filmes, e principalmente por esperar que as coisas fossem diferentes. Já errei, menti e voltei a errar outra vez. Já te amei com todo o meu coração, e, na distância, já senti saudades de todas as nossas conversas e brincadeiras. Ah... eu até já senti saudade de tudo aquilo que poderíamos ter se fôssemos parceiras. É. Eu já quis te colocar numa caixinha para que você ficasse só em casa, pertinho da nossa família. E hoje? O que sinto hoje? 

Hoje sinto uma agonia estranha. Sabe, nós não deveríamos ter deixado que nossos interesses e diferenças atrapalhassem tudo. Deveríamos ter tentado mais. Arriscado mais. Amado mais. Deveríamos ter nos esforçado e acreditado com mais afinco. Muitas coisas poderiam ser diferentes, e sei que você sabe disso. Mas nós, seres humanos, não podemos viver do passado. Precisamos seguir em frente, e aprender com os nossos erros. O que passou, passou. Sabe por quê? Porque eu quero acreditar que as pessoas podem mudar e que tudo pode ser diferente. Hoje eu quero te entender, e quero que você me entenda. 

Hoje, eu vim aqui para lhe dizer que somos uma família. Nosso priminho de três anos, por algum motivo inexplicável, deve ter sentido que estávamos passando por problemas. E ele disse ''estamos aqui por que somos família". E nos abraçou. Você chorou. Naquele momento, senti que as coisas poderiam realmente mudar. Senti como se o mundo quisesse nos dar um aviso. Não vamos nos esquecer do verdadeiro significado da palavra irmão. Não vamos deixar que nossa personalidade interfira no nosso relacionamento. Não vamos deixar de acreditar. Vamos tentar? Vamos tentar fazer tudo diferente? 

Eu não posso mudar nada do que aconteceu, muito menos você. Mas, no meu caso, posso oferecer tudo o que tenho: as minhas palavras. E então, quando tudo desaparecer, poderemos seguir em frente. Estarei do seu lado, como sempre estive. Estarei do seu lado, porque, se você um dia se sentir sozinha, quero ser aquela que te acolherá. É o que os irmãos fazem.