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Ele



Ele diz "vamos conversar"
mas todas as coisas que saem da boca dele
são mentiras deslavadas
será que ele acha que você é boba?

Ele volta tarde todas as noites
cheio de charme, tentando te bajular
será que ele acha que você não percebe
o cheiro de álcool e puta barata no ar?

Ele te trata mal
e toda vez que você o manda embora
ele diz "eu vou mudar"
será que você não percebe?
que ele é tudo, menos um cavalheiro

Ele gasta o seu dinheiro
está sempre com roupa de marca
bebendo no bar
perdendo no jogo
E o que você faz?
Me diz, o que é que você faz?

Ele diz que você gasta demais
e que fala demais
Ele odeia sua roupa
quer mandar em tudo
Como você aguenta isso tudo?
Me diz, como você aguenta isso tudo?

Será que um dia você irá perceber
que mentir pra si mesmo é negar tudo
que você quer ver
por que você não se permite ir?
por que você não não se permite ficar livre?
Eu queria que você soubesse



Eu queria que você soubesse que hoje, quando nós dissemos todas aquelas coisas um para o outro, eu pensei em desistir. Pensei em largar tudo, pegar minhas coisas e ir embora. Mas eu não fiz isso. Como você pode ver, eu ainda estou aqui. Eu ainda estou aqui porque você é uma parte muito importante de mim, e eu sinceramente não sei se estou pronta para dizer adeus.

Eu queria que você soubesse que, depois da nossa briga, eu me tranquei no banheiro e chorei por quase uma hora. Sabe, botei tudo para fora. Meses e meses de mágoa e sentimentos que estavam me correndo por dentro. E foi tão bom... tão libertador. Eu precisava disso, sabe? Eu precisava desse choque de realidade para conseguir admitir que sim, nós estamos quebrados.

Eu queria que você soubesse que eu menti. Eu menti hoje, menti ontem, menti por meses. Menti quando disse que estava tudo bem, menti quando disse que nós íamos conseguir superar toda essa merda. Menti quando eu disse que não sentia ciúmes das suas amigas, menti quando disse que estava tudo bem esperar por você até tarde da noite. Menti quando disse que eu ainda te amava do mesmo jeito que antes.

Eu queria que você soubesse... eu queria que você soubesse de tantas coisas! Tantas, tantas coisas...

Quando é que a gente deixou de conversar? Quando é que a gente abraçou o silêncio? Quando é que a gente parou de confiar um no outro? Quando é que a gente começou a sentir ódio, não amor?

São muitas perguntas. Muitas perguntas sem respostas.

Eu queria que você soubesse... que eu não sei como superar isso tudo.

Você sabe?
Amor de Carnaval


Não sei porque te escolhi. Entre tantos homens e mulheres, lá estava você, usando uma regata branca e um shorts surrado. Simples, eu sei. Num primeiro momento, pensei em desviar os olhos, mas meu desejo foi maior do que minha timidez. Em poucos segundos, estava do seu lado, suas mãos em minha cintura - dançávamos conforme a música. "Meu coração é seu!", você sussurrou em meu ouvido. Já estava entregue.

Até que foi rápido. Não perguntei teu nome. Meus lábios foram instantaneamente de encontro ao seus. Por alguns segundos, foi como se o mundo tivesse parado de girar. Quando terminamos, minha boca tinha gosto de maracujá. "Tudo bem?", perguntei com um sorriso maroto. "Como você chama, princesa?", você rebateu. Não esperamos por respostas. Engatamos mais um beijo, desta vez com mais intensidade. Minhas mãos percorriam suas costas, seus dedos puxavam meus cabelos. Estávamos arfando, a líbido invadindo nossa corrente sanguínea, nossos pecados se misturando rapidamente com os da multidão. 

"Pedro! Me chamo Pedro!", você disse contra os meus lábios. Agora, sua mão esquerda apertava minha cintura, enquanto a direita se encaixava entre a curva do meu rosto. Isso era um gesto romântico, até. Se não estivéssemos no meio do Carnaval de São Luiz, poderia até dizer que estávamos apaixonados. "Lindo nome, Pedro!", eu disse, meus dedos afagando sua nuca. Enquanto esperava por uma resposta, você passou o dedo indicador por meu lábio inferior. "Ainda estou esperando você dizer...". 

Mais uma onda de beijos. Essa sou eu. Nunca gostei de dizer o meu nome, nem de trocar o número de telefone. Para mim, revelar essas duas informações pode significar que estou propícia a entrar em alguma furada - afinal, Carnaval é aquela época do ano em que deixamos os problemas em casa. "Não vai me dizer o seu nome?", você me perguntou, o rosto acusatório. "Hein, hein, hein?", sussurrou, após beijar o meu pescoço. "Eu quero te conhecer!".  

Três frases que funcionaram como bombardeios. Era hora de colocar o meu plano infalível em prática. "Carla. Meu nome é Carla", menti. Era uma resposta básica, um nome fictício que eu usava sempre que queria me safar de alguma situação como essa. "Vai pedir o meu telefone também?", brinquei. Seus olhos falaram por você. 

Nos beijamos por mais algum tempo. Ali, foi fácil me perder, esquecer o meu nome, os problemas, e todas as pessoas que deixei em casa. Foi fácil esquecer o passado e aquela pessoa que ainda fazia o meu coração bater mais depressa. Mas, como a noite ainda era uma criança, era hora de dizer adeus. Quando tempo durou o nosso momento íntimo? Não sei dizer. Vinte minutos, talvez, mas não me surpreenderia se alguém tivesse confidenciado que estávamos ali agarrados por horas. 

Quando fui embora, olhei para trás. Sei que não deveria, mas algo me dizia que era preciso oferecer um último adeus. Minha mão se levantou em um aceno e, mesmo de longe, nossos olhos se encontraram. Você sorriu com os lábios repuxados. "Tchau, Carla!", gritou. Mas eu já estava longe. Dezenas de pessoas já se materializavam entre nós, os nossos suores misturando-se. Fui embora, mas deixei uma parte de mim contigo. Era sempre assim. 

O amor de carnaval sempre acaba na quarta-feira - e só é bom enquanto dura. 
O que se leva da vida



Já dizia Túlio Dek: O que se leva da vida é a vida que se leva. 

Hoje encerro uma etapa em minha vida. O sentimento é de perda, sim senhor, mas tenho, em meu coração, uma chama que cresce a cada segundo. Há três anos, neste mesmo mês, eu me mudava para São Paulo. Estava com duas malas. Itens pessoais; fotos da minha mãe e minha irmã que deixei para trás, e roupas suficientes para passar uma semana na cidade grande. Se eu estava com medo? É claro que estava. Mas o meu pai estava comigo. Quando cheguei na "casa nova", encontrei um quarto pequeno, sujo. Com um sorriso no rosto, nós começamos a limpar tudo.

Aceitei aquilo de braços abertos. Com muita força de vontade. Claro que, nos primeiros meses, tive uma saudade incontrolável de casa. Morria de medo das baratas que insistiam em aparecer do nada. Mas, com o tempo, percebi que aquela cidade era o meu verdadeiro lugar. Então comecei a cursar jornalismo, meu grande sonho. Fiz amizades. Entrei para o meu primeiro estágio. Em três anos, troquei de quarto, pintei paredes e ganhei móveis novos. Muitos móveis novos. Aquela cama barulhenta, que tanto incomodava, já nem existe mais. Até hoje, eu tinha o quarto dos sonhos: paredes azuis e amarelas, pintadas por minha mãe, uma grande mesa para escrever e uma linda estante de livros.    

Acontece que, como todo conto de fadas, o vilão apareceu. Até que demorou um pouquinho, sabe? Não vou mentir, esses três anos tiveram muitos momentos difíceis. Já cheguei a pensar em desistir. Mas nunca fiz isso, porque se tem uma coisa que aprendi com meus pais, é que todo problema, por mais tenebroso que ele possa aparecer, tem solução. Só que, desta vez, a solução está demorando um pouco para aparecer.

Eu e meu pai vamos ter que mudar de casa. Esse momento ia chegar um dia, claro, mas é que hoje, quando empacotei as últimas coisas, é que percebi o quanto sou grata por aquele lugar. Grata por todas as risadas e gargalhadas. Pelos jantares divertidos, os churrascos improvisados e todas as lembranças que martelam em meu peito como farpas. Grata por ter tido um teto enquanto tantas pessoas desistem de seus sonhos por falta de oportunidade. Eu tive uma. E vou ser eternamente grata por isso.

E você pai, que ontem estava tão triste, cabisbaixo, relembrando de tudo o que passamos, uma mensagem. Não importa para onde teremos que ir. Eu vou estar com você. Você vai estar comigo. Isso tudo começou há três anos, e você estava lá para me ajudar - me ajudando até com as roupas sujas espalhadas pelo quarto, né? -, então não se preocupe. Aquilo são só tijolos velhos. Uma casa que, em breve, será ocupada ou demolida. Todos os nossos momentos, as risadas, os sonhos e as lembranças estão aqui, conosco. Em nossos corações. Isso pai, isso ninguém pode tirar. 

Cabeça erguida e vamos seguindo em frente. Vamos continuar batalhando, sorrindo e valorizando todos os pequenos momentos. São eles que importam. E obrigada. Obrigada por tudo o que você fez por mim. Por todos os degraus que você e a mamãe colocaram em minha pequena e frágil escada. Se daqui há quarenta anos eu for metade do que você é hoje, eu com certeza vou ser um ser humano admirável. Digna de palmas.

Hoje você merece palmas pai. Eu te amo. Muito. Meu herói.
Chuva não cai pra cima



Se já entendeu, né? A verdade todo mundo sabe. Mas todo mundo esquece. Neste ano, dancei ao som de Fancy e Shake It Off, mas chorei ao som de Home. Pensei em desistir e jogar tudo pro alto. Desejei até voltar para casa, e acabar com todos os meus sonhos. Que bom que não o fiz. Eu aprendi tanto! Dentre as minhas preciosidades de 2014, está a percepção que não podemos desistir até que o relógio pare. Clichê, é verdade. Mas o que seria de nós, meros mortais, sem os nossos clichês? O mundo anda perdido demais. Hoje em dia todo mundo cuida da vida de todo mundo. Queremos tudo ao mesmo tempo, e nesse vai e vem da sociedade, esquecemos de agradecer pelas pequenas coisas. 

É totalmente abominável pensar que você não pode ter o que quer. Mas é totalmente desprezível pensar que, para conseguir ser feliz, você precisa passar em cima dos sonhos de outras pessoas. Em 2014, eu passei sete meses pensando que estava no caminho errado, até perceber que a culpada por 90% das coisas que aconteceram comigo era uma só. Eu mesma. É aquela velha história do aqui e agora: queremos ser grandes e ricos, mas isso tem que acontecer na velocidade da luz. Então, depois de perceber que as coisas não podem ser sempre do jeito que quero, tudo melhorou. Os sonhos sempre estão há pequenos passos, e tudo piora antes de melhorar. Agora estou na calmaria, mas, acredite, eu passei por uma tremenda tempestade. 

Não é atoa que, na infância, tudo parece ser fácil demais. Mas grande parte da culpa das coisas estarem como estão também é nossa. Quando um bebê nasce, a família toda se imobiliza. Há comemoração para tudo: o primeiro xixi, o primeiro cocô, os primeiros passos, as primeiras palavras. Mas, com o tempo, tudo se torna trivial demais. Xixi e cocô são nojentos, andar passa a ser normal, cair é um mico, falar errado é feio. É muita banalidade. São cinco dias trabalhados, no maior sufoco, e, nos dias de folga, quem disse que aproveitamos a vida? Que nada. Comer e dormir é mais gostoso. Estamos sempre em cima do muro, nunca dando valor para o que realmente importa. Se acomodar é melhor do que tentar. E no Ano Novo esse ciclo se repete. Todo ano é a mesma coisa. Você faz promessas, diz que tudo será diferente, diz que vai mudar. Espera ansiosamente pelo badalar dos sinos, acreditando que alguma mágica aconteça. Mas ela nunca acontece. 00:01 e você continua do mesmo jeito. Que decepção, né? 

A mudança acontece de dentro pra fora. Não adianta esperar por um príncipe encantado ou por algum milagre. Se você não fizer algo, continuará sempre do mesmo jeito. Por isso, em vez de reclamar, pegue todas as coisas ruins que aconteceram durante o ano e transforme em algo de valor. Aprenda com os erros. Dê valor para o seu tempo. Sabe porque? Temos mania de achar que as mudanças acontecem de repente, mas essa é a maior estupidez da humanidade. As pequenas mudanças acontecem no cotidiano, no dia a dia. Há prenúncios, avisos de que alguma coisa não anda bem. Mas nós ignoramos. Ignoramos porque a comodidade já tomou conta dos nossos corações. Então, quando aquela briga ou aquela separação acontece, ficamos sem chão. Mas nada é assim tão imprevisível. Tudo acontece por alguma razão. 

Agora é a hora de recomeçar. De você transformar essa data em algo diferente. De aceitar os fins e acolher os começos. Feche todas aquelas portas e feridas que só servem para te deixar para baixo. E abra espaço para o que está por vir. O tempo está passando, sabe? E ele anda passando rápido demais. Enquanto você está lendo, milhares de pessoas nasceram e morreram. E não pense que isso é apenas mais um discurso clichê motivacional de fim de ano. Se nós fôssemos espertos, mudaríamos com os números, os dias, meses e anos. Se tivéssemos aprendido alguma coisa, não estaríamos reclamando de todas as coisas que deram errado em 2014. Se as coisas fossem diferentes, estaríamos agradecendo, celebrando a vida, renascendo. 

Então, o que desejar para 2015? Sei lá, mas acho que hoje eu vou querer algo diferente. Nada de grandes alardes. Quando faltarem apenas cinco minutos, não vou desejar riquezas e conquistas impossíveis. Vou dar valor para o meu aqui e agora. Para cada segundo do meu aqui e agora. Olhar para a minha família, que sempre esteve ao meu lado. E me lembrar das pequenas coisas. De todas as pequenas coisas que conquistei em 2014. E agradecer. Agradecer por estar viva, por ter uma casa e um emprego. E, diferentemente dos outros anos, não vou cair na besteira de pensar que tudo foi horrível. Poderia ter sido melhor, é claro. Mas chuva não cai pra cima. Em 2015, vou continuar fazendo por merecer. Rever novamente os meus atos, os meus conceitos. 

E quer saber? Quando as coisas começarem a dar errado, vou apenas respirar e continuar indo em frente. Porque se tem uma coisa que aprendi com 2014, é que mesmo quando você não está mais acreditando, é preciso insistir mais um pouco. Porque nada é assim tão impossível. 

Um feliz, muito feliz 2015! 
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Semana passada, tentei lembrar o nome daquele livro que todo mundo tá comentando. Não consegui. Te liguei, e em cinco minutos você me passou um e-mail com todas as informações que eu precisava. Muito fácil, prático. Depois de uns dias, te agradeci com um beijo rápido, porque essa é a nossa regra. Estávamos no restaurante, rindo, mas alguma coisa estava errada. As pessoas começaram a reparar. Merda. 

Na real, não sei porque as pessoas se preocupam tanto. A gente tá junto, mas vive separado. Não estamos sempre grudadas. Não é verdade? Às vezes, não entendo como o mundo pode ser tão cruel. Nós não somos um pacote! Pode me chamar pelo nome, porque odeio quando alguém se refere a mim como "aquela garota que beija garotas"

É uma história complicada, cheia de defeitos. Mas, no final, tudo isso faz parte, apenas, de um fenômeno que ainda não foi explicado pelo meu querido divã: Eu gosto da Mariana. E ela gosta de mim também. Logo, sou uma pessoa normal, como todas as outras. Eu também enfrento problemas. Regularmente. 

Mesmo assim, creio que a gente esteja conseguindo se esquivar de todo esse julgamento. Né não? Brigamos muito - isso sim faz parte do pacote -, mas, na maioria das vezes, a gente acaba descobrindo como se divertir. Sabe como é. Estamos na flor da idade. 

A verdade é que sei que nós chegamos naquele ponto crucial, em que ou eu digo as três palavrinhas mágicas, ou você acaba fazendo suas malas e indo embora. Não seria a primeira vez, tu sabe. Mas talvez, desta vez, eu esteja com medo. Medo de verdade. Medo de te perder pra sempre. Tenho que admitir, sou louca pela Mariana. A doce e invariavelmente louca Mariana. E acho que você já sabe disso. Tá na cara. 

Ontem mesmo eu estava tentando te explicar o sentido de ir pela Av. Jabaquara, em vez de inevitavelmente me perder - você sabe como eu sou - no trânsito da Av. Cursino. Sei lá porque te mandei uma mensagem. Você não entendeu o sentido daquilo tudo, mas tudo bem. Eu só queria... te avisar. Devia ser a minha carência dando as caras, já que ultimamente ando gostando de avisar para onde vou. Tô perdida.

Tô apaixonada. 
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              "Infelizmente a tecnologia está mudando o modo como as pessoas encaram os relacionamentos. Com o tempo, alteramos o nosso jeito de agir e de pensar por comodidade. Você já parou para pensar que desde os tempos mais primórdios o homem sempre esteve em busca de ferramentas que pudessem tornar sua vida mais fácil? E ele conseguiu. 
              Atualmente você briga e fala eu te amo por mensagem. A ligação é quase uma prova de amor, e, agora, suas amizades são feitas em salas de bate-bapo ou até mesmo no próprio Facebook. É muito bom poder falar com qualquer pessoa em qualquer lugar, mas isso cansa. As pessoas são mais legais virtualmente porque a humanidade esqueceu como se relacionar na vida real. Você passa mais tempo na internet do que com a sua família. Quem precisa de um animal em casa? Você tem bichinhos virtuais no celular. E onde fica o romantismo? As flores? As cartas? 
              Acabou aquele negócio de "olho no olho". Se você diz que está com saudade, o cara só vai dizer que também sente. E só. Não tem mais aquela coisa de pegar o carro, o metrô e o ônibus para fazer uma surpresa, ou até mesmo para engatar uma reconciliação. Agora tu diz que está chorando, mas as lágrimas não são mais vistas. O sexo se tornou morno - pois quase ninguém transa depois de um briga. É mais fácil fugir da realidade, não é? O homem conseguiu se tornar patético, burro, mesquinho, hipócrita. Procure as respostas no Google, parceiro, porque é melhor do que sair de casa para ir até a biblioteca. 
              Agora. Agora é a hora que você pensa "ok, essa é coisa mais hipócrita que já ouvi'' e sim, você está certo. Eu sou assim. Na maior parte do tempo eu também quero fugir das pessoas e dos problemas, mas acho que, independente disso, você deve tentar. Faça um esforço para ser diferente. Para ter personalidade. Para colocar um sorriso no sorriso de alguém. Tente somar, não subtrair. Chega de ser mais do mesmo. Tente ser mais.
              Some. Chegou a hora de somar. Números não fazem de você alguém especial. Dinheiro não te faz completo. Sabe o que faz bem? Uma conversa fiada numa mesa de bar. Sorrir para aquele estranho que acabou de sentar do seu lado. Abrir a porta para alguém, fazer uma gentileza para o seu colega de trabalho, colocar um sorriso no rosto do seu melhor amigo quando ele estiver triste. E no amor? Tente ser o cara que você gostaria de namorar. Isso sempre dá certo. 
              Penso que, se um dia meu filho me perguntar porque a educação dele é diferente, vou dizer que é porque acredito no romantismo. Sabe aquele negócio de ligar só para ouvir a respiração de alguém? De acreditar que um toque fala mais do que mil palavras? De entender que a vida é muito mais do que uma conversa no WhatsApp? Pois é. Acredito nisso.


Mila Davis."
O que eu quero

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Você apareceu. Por um tempo achei que não daria certo, depois pensei que seria passageiro, e, por fim, quase acreditei que tu não existia. Não podia existir. Mas existe. Você transformou o meu mundo, me fez feliz, somou a mim, completou cada parte falha e desajeitada do meu ser. Pois é. 

Não te encontrei em um dia ensolarado, no parque, sorrindo. Naquele dia, tinha tudo para dar errado - mas o destino, quando quer, não falha. Hoje, quatro meses depois, sinto como se eu estivesse não nas nuvens, mas em um grande campo de batalhas. Eu e você contra o mundo, contra o tempo, contra a distância. Mais cinco meses e eu vou poder olhar para você todos os dias, para essa sua boca que me fascina, os seus olhos que me iluminam. Entende quando falo que me apaixonei? Tu mudou a minha percepção sobre o amor verdadeiro, pequena.  

Parece que ainda estou tentando entender como tudo isso aconteceu. Queria gritar para o mundo que estou feliz, que estou contigo, que não estou livre. Mas fico calada. Guardo esse amor para você, aquela que me acorda com textinhos de bom dia e me faz dormir mesmo quando não quero. E que esse amor não seja passageiro. Que venham outros domingos, outras quartas-feiras. Lembra daquele sorriso? Aquele sorriso que dei quando te encontrei? E como meu coração estava disparado? As minhas mãos tremiam, e eu não conseguia pensar em outra coisa. Só em você. Lembra? Continuo assim - só que agora há essa distância. Mas tu volta. Sei que tu volta para mim. 

Quero te dar todo o meu amor. Quero fazer de você a pessoa mais feliz, mais amada e mais compreendida do mundo. Quero que você saiba que eu te enxerguei em tão pouco tempo, que te amei em tão pouco tempo e que também percebi que esse amor é a coisa mais verdadeira que já senti em toda a minha (breve) vida. Quero ser o seu consolo quando alguma coisa der errado, e mesmo quando você pedir, quero ser aquela que não vai sair do seu lado. Quero que a gente se aventure pelo mundo, e que supere a rotina com sabedoria, nunca mudando o que a gente é isso. Quero ter um mini-time-de-futebol, e que os nossos filhos tenham a sua boca, os seus olhos, o seu nariz, a delicadeza das suas mãos. E, por fim, quero que você chore bastante. De felicidade, alegria, entusiasmo, saudade. Vou garantir que você não se machuque, mas, se acabar se machucando, vou ser aquela que te transbordará de amor outra vez.

Entenda que eu não sou uma pessoa perfeita, e talvez nem tenha tanto a acrescentar a você, mas estou disposta a ser as suas aspas, as reticências, o parágrafo, o travessão - nunca um ponto final. E daqui há alguns anos, quando você me achar chata e sedentária, quero poder colocar um sorriso no seu rosto, dizendo que tu é a única que faz o meu coração se encher de vida, disparar. O que eu quero? Quero te fazer sonhar todos os dias, dormindo, acordada, cochilando. Se depender de mim, vamos conseguir realizar tudo, tudo e mais um pouco.

"Yeah I've been feeling everything from hate to love to lust 
From lust to truth I guess that's how I know you"