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Nós só temos o agora



E se a música acabar?
E se nós nos desencontrarmos?
E se essa energia sumir?
E se eu nunca mais te ver?
Vou ter que ir embora
sem me despedir?

E se só tivermos o agora?
E se esse vazio nunca mais sumir?
Parece um sonho
mas eu tenho certeza
que eu estava acordado
E o melhor de tudo
eu sei que você também sentiu
o mesmo

Então
quando todas as luzes se apagarem
e os holofotes piscarem
Quando estivermos suando
e gritando o refrão
como loucos
Chegue mais perto
e me envolva com seus braços

Vamos aproveitar esse momento
vamos dançar no ritmo da música
toque todo o meu corpo
me beije até chegar em minha alma
feche os olhos
perca a noção do tempo
porque você sabe
nós só temos
o agora
(In)certeza



Você não precisa escolher
ou tomar uma decisão
eu só quero passar algum tempo com você
está tudo certo, vamos com calma

Me perdoe se eu for um pouco tímida
é que você me faz sentir coisas
que eu nunca senti
então vamos com calma, está bem?

Eu adoro o jeito que você me olha
o jeito que você me toca
oh querido, eu poderia ficar para sempre assim
na cama com você

Você me protege
me faz rir
e quando você me abraça
é como se você me conhecesse desde sempre

Então vamos fazer assim
fique comigo até o sol raiar
e amanhã
nós vemos o que vai dar
Quem sou eu?



Eu sou o vento que corta o seu rosto em uma noite de inverno
Eu sou a lua que ilumina os seus passos
Eu sou os vaga-lumes que te perseguem
Eu sou o tempo que para toda vez que você me vê
Eu sou as covinhas que deixam o seu sorriso ainda mais bonito
Eu sou o formigamento que percorre o seu corpo quando você me abraça 
Eu sou o calafrio que desce pela sua espinha quando você me beija
Eu sou o desejo que você sente toda vez que eu beijo o seu pescoço
Eu sou as alegrias, as tristezas, as conquistas
Eu sou a saúde, eu sou a doença
Eu sou a fartura, eu sou a pobreza
Eu sou as borboletas do seu estômago
Que dançam, dançam, dançam comigo
Eu sou o brilho do seus olhos
Eu sou espasmos, gemidos, suspiros
Eu sou o prazer que você sente quando está comigo
Eu sou tantas coisas
De tantas maneiras
E, se você quer mesmo saber,
Sem você
Eu nada sou
Amor de Carnaval


Não sei porque te escolhi. Entre tantos homens e mulheres, lá estava você, usando uma regata branca e um shorts surrado. Simples, eu sei. Num primeiro momento, pensei em desviar os olhos, mas meu desejo foi maior do que minha timidez. Em poucos segundos, estava do seu lado, suas mãos em minha cintura - dançávamos conforme a música. "Meu coração é seu!", você sussurrou em meu ouvido. Já estava entregue.

Até que foi rápido. Não perguntei teu nome. Meus lábios foram instantaneamente de encontro ao seus. Por alguns segundos, foi como se o mundo tivesse parado de girar. Quando terminamos, minha boca tinha gosto de maracujá. "Tudo bem?", perguntei com um sorriso maroto. "Como você chama, princesa?", você rebateu. Não esperamos por respostas. Engatamos mais um beijo, desta vez com mais intensidade. Minhas mãos percorriam suas costas, seus dedos puxavam meus cabelos. Estávamos arfando, a líbido invadindo nossa corrente sanguínea, nossos pecados se misturando rapidamente com os da multidão. 

"Pedro! Me chamo Pedro!", você disse contra os meus lábios. Agora, sua mão esquerda apertava minha cintura, enquanto a direita se encaixava entre a curva do meu rosto. Isso era um gesto romântico, até. Se não estivéssemos no meio do Carnaval de São Luiz, poderia até dizer que estávamos apaixonados. "Lindo nome, Pedro!", eu disse, meus dedos afagando sua nuca. Enquanto esperava por uma resposta, você passou o dedo indicador por meu lábio inferior. "Ainda estou esperando você dizer...". 

Mais uma onda de beijos. Essa sou eu. Nunca gostei de dizer o meu nome, nem de trocar o número de telefone. Para mim, revelar essas duas informações pode significar que estou propícia a entrar em alguma furada - afinal, Carnaval é aquela época do ano em que deixamos os problemas em casa. "Não vai me dizer o seu nome?", você me perguntou, o rosto acusatório. "Hein, hein, hein?", sussurrou, após beijar o meu pescoço. "Eu quero te conhecer!".  

Três frases que funcionaram como bombardeios. Era hora de colocar o meu plano infalível em prática. "Carla. Meu nome é Carla", menti. Era uma resposta básica, um nome fictício que eu usava sempre que queria me safar de alguma situação como essa. "Vai pedir o meu telefone também?", brinquei. Seus olhos falaram por você. 

Nos beijamos por mais algum tempo. Ali, foi fácil me perder, esquecer o meu nome, os problemas, e todas as pessoas que deixei em casa. Foi fácil esquecer o passado e aquela pessoa que ainda fazia o meu coração bater mais depressa. Mas, como a noite ainda era uma criança, era hora de dizer adeus. Quando tempo durou o nosso momento íntimo? Não sei dizer. Vinte minutos, talvez, mas não me surpreenderia se alguém tivesse confidenciado que estávamos ali agarrados por horas. 

Quando fui embora, olhei para trás. Sei que não deveria, mas algo me dizia que era preciso oferecer um último adeus. Minha mão se levantou em um aceno e, mesmo de longe, nossos olhos se encontraram. Você sorriu com os lábios repuxados. "Tchau, Carla!", gritou. Mas eu já estava longe. Dezenas de pessoas já se materializavam entre nós, os nossos suores misturando-se. Fui embora, mas deixei uma parte de mim contigo. Era sempre assim. 

O amor de carnaval sempre acaba na quarta-feira - e só é bom enquanto dura. 
no image



Peguei em sua mão e fechei os olhos
para todos os sonhos e fantasias
todos os meus desejos para o futuro
naquele momento, não tive medo

Eu era apenas uma garota do interior
e você apenas um menino da cidade grande
estávamos perdidos, sozinhos
duas crianças procurado redenção

Você disse que tudo seria simples
desde que eu estivesse do seu lado
fomos tão ingênuos, imaturos
duas pessoas procurando salvação

Agora eu vejo os nossos erros
eles caem como estrelas cadentes
perfurando nossos pulmões
derrubando nossas esperanças

Então vamos nos permitir
antes que tudo isso termine
antes que a dor invada o nosso amor
não procure mais motivos

Vamos apenas viver
há um final no fim do túnel
um lugar onde nossas lágrimas
estarão dançando de felicidade
Maré


Talvez você precise se lembrar de como suas tardes com ela eram boas. Nos dias de sol, nos dias de chuva. Você se lembra da primeira vez que abriu o seu coração? Dizendo que nunca iria machucá-la, dizendo que sempre estaria ao lado dela. Mas o tempo passou. E, agora, você mal consegue se lembrar de como costumava ser. Ela pediu um tempo, e você aceitou de pronto. O que fazer? O que sentir? Os beijos, tão frios, não são mais como antigamente. É como se ela tivesse entrado no mar, e a maré alta, prepotente, tivesse levado tudo embora. Mas você fez alguma coisa para impedir? Quando os dias ficaram escuros, você fez alguma coisa para iluminá-los? Ela está indo embora. E agora é o seu momento. 

Com fotos emolduradas, uma rosa na mão. Diga que você estava louco, diga que perdeu a calma. Seu coração está batendo mais depressa? Agora é o seu momento. Lembre-se disso. Diga que o medo estragou tudo, mais uma vez. Diga que sente, sente muito. E não a deixe ir embora. Não agora. Não agora que você sabe da verdade. Não agora que sabe que, sem ela, seu coração nunca mais será o mesmo. As ondas podem ir, mas elas também voltam. Trazendo tudo de volta.